País deve registrar mais de 126 mil novos casos até 2028
Entre 2026 e 2028, Bahia deve registrar 8.250 novos casos, o equivalente a uma média de 2.750 diagnósticos por ano
São Paulo, julho de 2026 – Rouquidão persistente, uma ferida na boca que não cicatriza, dificuldade para engolir ou um caroço no pescoço costumam ser encarados como problemas passageiros. Em muitos casos, porém, esses sinais escondem um dos grupos de tumores mais agressivos: os cânceres de cabeça e pescoço.
O desafio é que a doença continua sendo descoberta tarde demais. Estima-se que oito em cada dez pacientes recebam o diagnóstico em estágio avançado, quando o tratamento se torna mais complexo, aumenta o risco de sequelas e diminuem as chances de cura.
O problema ganha ainda mais relevância diante das projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Entre 2026 e 2028, o Brasil deverá registrar aproximadamente 126.450 novos casos apenas de câncer da cavidade oral, tireoide e laringe, média de 42.150 diagnósticos por ano.
Entre 2026 e 2028, Bahia deve registrar 8.250 novos casos, o equivalente a uma média de 2.750 diagnósticos por ano.
"O grande inimigo continua sendo o diagnóstico tardio. Muitos pacientes convivem durante meses com sinais aparentemente simples, como rouquidão ou pequenas lesões na boca, sem imaginar que podem estar diante de um câncer. Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores são as possibilidades de preservar funções importantes, como falar, mastigar, respirar e engolir, além de aumentar significativamente as chances de cura", explica Janini Rosas, cirurgiã-dentista e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA).

Câncer de cavidade oral - Feridas na boca que não cicatrizam, manchas persistentes e dificuldade para engolir podem esconder uma doença que deve atingir cerca de 17,2 mil brasileiros por ano entre 2026 e 2028. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer da cavidade oral e da orofaringe terá risco estimado de 7,98 casos por 100 mil habitantes e continuará sendo muito mais frequente entre os homens, que devem concentrar aproximadamente 12,3 mil dos novos diagnósticos anuais, enquanto entre as mulheres são esperados cerca de 4,9 mil casos.
Sem considerar o câncer de pele não melanoma, a doença ocupa a sétima posição entre os tipos de câncer mais frequentes no País. Entre os homens, o cenário é ainda mais preocupante: trata-se do quarto câncer mais incidente na região Sudeste e do quinto nas regiões Sul, Centro-Oeste e Nordeste.
Esse grupo reúne tumores que acometem os lábios, língua, gengiva, céu da boca, mucosa oral, glândulas salivares e orofaringe. Em mais de 90% dos casos, o tumor é do tipo carcinoma espinocelular.
Grande parte dos casos está relacionada a fatores de risco que podem ser evitados. O cigarro continua sendo o principal vilão, sobretudo quando associado ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A exposição prolongada ao sol sem proteção aumenta o risco de câncer de lábio, enquanto a infecção persistente pelo HPV, especialmente o subtipo 16, está diretamente relacionada aos tumores de orofaringe. Obesidade, consumo frequente de carnes processadas e de bebidas muito quentes também podem favorecer o desenvolvimento desses cânceres.
Para doutora Janini, o diagnóstico precoce faz toda a diferença no tratamento. “Feridas que não cicatrizam por mais de 15 dias, manchas brancas ou avermelhadas, dor persistente, rouquidão e dificuldade para engolir devem ser investigadas por um profissional”.
Câncer de tireoide - Embora apresente uma das maiores taxas de cura entre os tumores quando descoberto precocemente, o câncer de tireoide deve atingir cerca de 16,4 mil brasileiros por ano no triênio de 2026 a 2028. Dados do INCA chamam atenção: quatro em cada cinco casos deverão ocorrer em mulheres. Ao todo, são estimados cerca de 13,3 mil novos diagnósticos femininos por ano, contra pouco mais de 3,1 mil entre os homens.
Não considerando os tumores de pele não melanoma, o câncer de tireoide ocupa a oitava posição entre os mais frequentes no Brasil e está entre os principais tipos de câncer que acometem as mulheres, especialmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. Localizada na parte anterior do pescoço, a tireoide produz hormônios que regulam o metabolismo, a temperatura corporal e diversas funções essenciais do organismo.
“Entre os fatores de risco mais conhecidos estão a exposição à radiação na região do pescoço, principalmente durante a infância. Devemos considerar a questão do histórico familiar, alterações genéticas e algumas síndromes hereditárias. Em áreas com deficiência de iodo, por exemplo, também pode contribuir para determinados tipos da doença”, alerta a doutora.
O câncer da tiroide se desenvolve de forma muito silenciosa, portanto, ficar atentas aos detalhes, é muito importante. “Qualquer nódulo aparente no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou respirar e aumento dos linfonodos cervicais, é preciso buscar um especialista. São sinais que não devem ser ignorados. E quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores são as chances de cura e menores as possibilidades de tratamentos mais agressivos”, adverte Janini.
Câncer de laringe - A rouquidão persistente pode ser muito mais do que um incômodo passageiro. É um dos principais sinais do câncer de laringe, doença que deverá registrar cerca de 8,5 mil novos casos por ano no Brasil entre 2026 e 2028. De acordo com o INCA, aproximadamente 86% dos diagnósticos ocorrerão entre homens, totalizando cerca de 7,3 mil casos anuais, enquanto entre as mulheres são esperados aproximadamente 1,2 mil.
O câncer de laringe ocupa a 18ª posição entre os tipos mais frequentes no País, mas, entre os homens, figura entre as dez neoplasias mais incidentes, especialmente nas regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste.
Além de ser responsável pela produção da voz, a laringe participa da respiração e protege as vias aéreas durante a alimentação. “Quando o tumor é descoberto em fases avançadas, pode comprometer essas funções e afetar significativamente a qualidade de vida do paciente”, sinaliza a doutora.
O tabagismo permanece como o principal fator de risco, seguido pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas. A combinação entre cigarro e álcool multiplica as chances de desenvolver a doença.
Além da rouquidão que persiste por mais de duas ou três semanas, sintomas como dor de garganta contínua, dificuldade para engolir, sensação de corpo estranho na garganta, falta de ar e nódulos no pescoço merecem investigação. O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento e pode preservar uma das funções mais importantes da laringe: a voz.
Durante a campanha Julho Verde, doutora Janini reforça que informação continua sendo uma das principais ferramentas para reduzir o número de diagnósticos tardios. O reconhecimento precoce dos sinais de alerta pode representar a diferença entre tratamentos menos agressivos e procedimentos complexos que afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral para esses tumores, incluindo cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo, imunoterapia e acompanhamento multiprofissional com fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.

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