Planalto afirma que buscou diálogo em diferentes níveis com autoridades americanas e atribui decisão a fatores políticos

A decisão dos Estados Unidos de impor uma nova tarifa sobre produtos brasileiros intensificou a disputa política em torno da responsabilidade pela medida. Enquanto a oposição atribui o resultado a falhas na condução das negociações pelo governo federal, integrantes do Palácio do Planalto afirmam que a decisão teve motivação política e ideológica. Via G1 / Metropoles
O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou a aplicação da nova tarifa, que entra em vigor em 22 de julho e mantém uma lista de produtos isentos. A medida é resultado de uma investigação iniciada há um ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelo governo americano para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais.
Segundo levantamento da diplomacia brasileira, o governo realizou mais de 30 contatos com autoridades dos Estados Unidos desde o anúncio da primeira rodada de tarifas. As tratativas ocorreram por telefone, videoconferência e reuniões presenciais, envolvendo representantes dos governos em níveis presidencial, ministerial e técnico.
De acordo com o Planalto, também foram realizadas pelo menos 11 reuniões com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e com o representante de Comércio americano, Jamieson Greer. O governo afirma que todas as iniciativas partiram do lado brasileiro, em uma tentativa de buscar uma solução negociada para o impasse comercial.
As informações foram divulgadas em meio às críticas de que o Brasil não teria buscado diálogo suficiente antes da adoção das novas tarifas.
Após o anúncio da medida, o governo federal divulgou nota classificando a decisão como um "marco lastimável" na relação entre os dois países e afirmou que recorrerá à Lei da Reciprocidade Econômica.
Na manifestação, o governo também argumenta que "não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil".
Ainda segundo a nota oficial, "Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil".
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