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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Feminicídios batem novo recorde no Brasil; homicídios caem

1.571 mulheres foram assassinadas por razões de gênero em 2025, enquanto assassinatos em geral atingiram o menor patamar em 13 anos
Emanuelle Menezes/SBT
Feminicídios cresceram em 2025 apesar da redução das mortes violentas intencionais no Brasil | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Brasil registrou um novo recorde de feminicídios em 2025, mesmo com a continuidade da queda das mortes violentas no país. Ao longo do ano, 1.571 mulheres foram assassinadas por razões de gênero, o equivalente a quatro vítimas por dia, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).

O número representa um aumento de 4% em relação a 2024, quando foram registrados 1.504 casos. Desde 2015, primeiro ano em que o feminicídio passou a ser tipificado na legislação brasileira, os registros cresceram quase 250%.

🔎 O Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, faz um levantamento anual dos registros criminais das Secretarias de Segurança Pública dos 26 estados e do Distrito Federal.

Os dados seguem na contramão da tendência nacional. Enquanto os homicídios em geral atingiram, em 2025, o menor patamar desde o início da série histórica do Anuário, em 2012, a violência letal motivada por questões de gênero continua avançando.

O estudo destaca ainda que medidas exclusivamente repressivas não têm sido suficientes para conter esse tipo de violência. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública defende "uma agenda baseada em prevenção, intervenção precoce e monitoramento dos fatores de risco, especialmente diante da persistência da violência doméstica e do aumento do descumprimento das medidas protetivas".

Perfil das vítimas e dos autores
O Anuário mostra que a violência continua concentrada dentro do ambiente doméstico e praticada, na maioria das vezes, por pessoas próximas às vítimas.

Entre as mulheres assassinadas em 2025:
65,1% eram negras;
56,5% tinham entre 25 e 44 anos;
62,5% foram mortas dentro da própria residência.

Nos casos em que a autoria foi identificada:
96,4% dos autores eram homens;
60,9% eram parceiros íntimos;
18,9% eram ex-parceiros;
12,1% eram familiares.

Violência antes do feminicídio
O levantamento também chama atenção para o volume de episódios de violência registrados antes dos assassinatos. Em 2025, houve 8.864 tentativas de homicídio e feminicídio contra mulheres, uma média de 24 vítimas por dia, ou aproximadamente uma tentativa por hora.

Além disso, para cada feminicídio registrado, o país contabilizou, em média:
502 registros de ameaça;
182 casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica;
84 ocorrências de descumprimento de medida protetiva de urgência;
79 registros de perseguição (stalking).

Para o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, esses números evidenciam que o feminicídio costuma ser o desfecho de uma sequência de violências já conhecidas pelas autoridades e reforçam a importância de políticas públicas voltadas à prevenção e à proteção das vítimas antes que os casos evoluam para a violência letal.

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