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quinta-feira, 23 de julho de 2026

Crimes sexuais contra crianças avançam na internet

Anuário da Segurança Pública aponta avanço da exploração sexual online, enquanto maioria das vítimas de estupro continua sendo crianças e adolescentes
Antonio Souza*SBT
A violência contra crianças e adolescentes está mudando de perfil no Brasil e migrando cada vez mais para a internet. É o que mostram os dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quinta-feira (23).

De acordo com o levantamento, o país passou a registrar um aumento dos crimes praticados no ambiente digital, especialmente os relacionados à exploração sexual infantil.

Pela primeira vez, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública analisou microdados nacionais sobre crimes de exploração sexual infantil no ambiente virtual. Os casos de produção, posse ou distribuição de material dessa natureza aumentaram 25,3% entre 2024 e 2025, chegando a 4.063 vítimas.

O estudo mostra que 84,2% das vítimas são meninas e 15,8% são meninos. A maior concentração está entre adolescentes de 14 e 15 anos. 

A distribuição por faixa etária foi a seguinte:
14 e 15 anos: 30%;
12 e 13 anos: 26,8%;
16 e 17 anos: 21,5%;
9 a 11 anos: 13,9%.

Mais de 1/3 dos autores são adolescentes
Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o perfil dos autores. Em 86,5% dos registros, havia apenas homens envolvidos. No entanto, 34,2% dos autores identificados eram adolescentes, o que representa mais de um terço dos casos.

Entre as autoras do sexo feminino, os casos com autoria múltipla foram mais frequentes do que aqueles com apenas uma autora. A participação de meninas em crimes praticados em grupo foi de 9,1%, ante 4,4% nos casos cometidos individualmente.

Segundo o Fórum, a presença expressiva de adolescentes entre os investigados reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, à educação digital e à responsabilização de jovens envolvidos nesses crimes.

Os pesquisadores destacam que o combate a esse tipo de violência depende do fortalecimento das políticas de proteção à infância e à adolescência, do monitoramento das plataformas digitais e de ações de conscientização voltadas a famílias, escolas e adolescentes sobre os riscos e as consequências desses crimes.

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