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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Renegociação de dívida no novo Desenrola atrasa em parte dos bancos digitais

Por Júlia Galvão | Folhapress
Foto: Divulgação
Mais de duas semanas após o lançamento do novo Desenrola Brasil, parte dos bancos digitais e fintechs ainda não começou a oferecer oficialmente as renegociações previstas no programa do governo federal. Algumas instituições digitais afirmam que seguem em fase de integração operacional e prometem liberar o serviço nos próximos dias.

Muitos dos bancos de menor porte ainda não estavam conectados ao FGO (Fundo de Garantia de Operações), que é o veículo do governo que vai cobrir eventuais calotes que os bancos venham a levar depois de renegociar a dívida dos clientes, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Portanto, elas têm que aderir ao FGO e, depois disso, precisam conectar seus sistemas ao do fundo, um processo que pode levar cerca de um mês.

Lançado em 4 de maio pelo Ministério da Fazenda, o novo Desenrola prevê 90 dias para renegociação de dívidas bancárias, com descontos, parcelamentos e possibilidade de uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para abatimento dos débitos.

Apesar disso, a adesão entre as instituições financeiras ainda ocorre de forma gradual. Logo depois do anúncio oficial do Desenrola, o programa demorou alguns dias para ganhar impulso em bancos tradicionais, com instituições oferecendo apenas pré-cadastros e restrições no parcelamento das dívidas. O uso do FGTS só será liberado no próximo dia 25.

O QUE DIZEM AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS?
Segundo a Zetta, associação que reúne fintechs e bancos digitais, os associados aderiram ao novo Desenrola Brasil, mas o início das renegociações depende dos fluxos internos de cada instituição e de ajustes operacionais necessários para viabilizar os processos.

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) afirma que uma parcela relevante das instituições associadas já disponibilizou o novo Desenrola aos clientes. Segundo a entidade, os bancos não relataram entraves para implementação do programa, embora ainda existam questões operacionais pontuais em algumas instituições.

O C6 Bank afirma que a renegociação será oferecida em breve e que está em processo de integração ao sistema do programa. Enquanto isso, a instituição mantém condições próprias de renegociação, com taxas de até 1,49% ao mês e parcelamento em até 72 vezes para dívidas em atraso entre 91 e 720 dias.

O Mercado Pago também confirmou adesão ao Desenrola 2.0, mas informou que ainda avalia os procedimentos operacionais necessários antes de divulgar os canais e condições disponíveis aos clientes elegíveis.

A Neon afirma que está em fase final de implementação para disponibilizar as condições do programa e que espera lançar oficialmente as ofertas especiais de renegociação "a partir da próxima semana". Segundo a empresa, os clientes elegíveis serão avisados pelos canais oficiais da instituição.

O Banco Pan, do BTG Pactual, tem uma página em que o endividado pode fazer um pré-cadastro de renegociação.

O PagBank afirma que participa do Desenrola, mas que a operação ainda está em fase inicial, com ampliação gradual conforme as integrações forem concluídas. Atualmente, as renegociações são feitas principalmente pelo aplicativo do banco e pelo portal de negociação.

Nubank afirma que já participa do programa conforme as regras do governo federal e oferece renegociação para dívidas elegíveis, com pagamento à vista ou parcelado. Segundo a instituição, uma área dedicada ao novo Desenrola começou a ser liberada gradualmente no aplicativo para facilitar o acesso às ofertas.

A instituição diz ainda que, em paralelo, mantém uma campanha própria de renegociação para clientes não elegíveis ao programa. "Em ambos os casos, após a regularização da dívida, o cartão de crédito pode ser reativado mediante nova análise."

O PicPay também diz já disponibilizar renegociação dentro das condições especiais do programa. Os clientes podem acessar as ofertas diretamente pelo aplicativo ou pelo portal da instituição. Entre as dívidas mais comuns renegociadas até o momento estão cartão de crédito, empréstimo pessoal e contratos antigos que ainda apresentavam inadimplência.

O Inter afirma que está apto a realizar renegociações dentro do novo Desenrola Brasil desde 7 de maio. Segundo o banco digital, os clientes podem acessar condições e descontos tanto pelo aplicativo (na área "Cartões" e depois em "Negociar") quanto pelo site de renegociação da instituição.

O Digio, banco digital do Bradesco, afirma que já participa do novo Desenrola Brasil e oferece renegociação aos clientes por canais como aplicativo, WhatsApp e SMS. Segundo a instituição, houve aumento de 30% na procura por negociações desde o lançamento do programa.

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