Por Márcio Chaer
O itinerário da correlação de forças entre os países tem um fio condutor. Primeiro veio o comando da situação pela força bruta. Depois veio o domínio pelas ferramentas — também conhecidas como armas — e pela tecnologia. Com elas, impôs-se a força pela inteligência. Uma palavra com diversos significados.
Produzir inteligência é a receita da dominação. Espionagem, contraespionagem, infiltração e a infinita coleção de truques para submeter pessoas e países para extrair riquezas e, objetivo legítimo, garantir o bem-estar do seu povo. Deles, claro.
Durante quase dois séculos, usou-se a inteligência para descobrir os pontos fracos do inimigo (ou concorrentes) e sufocá-los na base da força bruta, transformando-os em colônias. Ficaram famosos “serviços” como CIA, MI5, MI6, Mossad, KGB (hoje FSB) e, no Brasil, o SNI — que se tornou a inutilidade chamada Abin.
Visados demais por sua truculência, crimes e exposição — o que contrariava o conceito de “serviço secreto” —, os órgãos de inteligência disfarçaram-se. Nasceu, então, o truque das “propriedades”. Para não depender da fórmula surrada do “agente de campo” (o 007, lembra?), os agentes tornaram-se protagonistas.
Salvando o planeta
Criaram jornais que não eram jornais, lojas que não eram lojas, indústrias que não eram indústrias e, principalmente, falsas “ONGs”. O funcionamento padrão é e era simples demais. Suponha que um país cliente ameace uma potência de tornar-se concorrente, a ponto de roubar sua freguesia.
Imagine que esse país, por suas características, torne-se o maior fornecedor de comida do mundo — um ativo que tem mais futuro do que o iphone. Não hesite: diga que esse país está destruindo a natureza, violando direitos humanos ou matando criancinhas. Mais na conjur
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