Subdiagnosticada, doença leva milhões de mulheres a anos de tratamentos ineficazes, gastos recorrentes e impacto profundo na qualidade de vida
Mulheres com diversos graus de lipedema - crédito fotos: divulgação @ongmovimentolipedema
Anos de tentativa até o diagnóstico
Erros comuns que se repetem no caminho
Esse cenário segue um padrão recorrente na prática clínica. “Por conta da falta de conscientização sobre o lipedema, é frequente vermos que entre elas começarem a ter sintomas – que começam na adolescência - e até achar um profissional ou ter uma informação que ajude ela a fechar o diagnóstico, são muitos anos. Não dá para prever quantos, mas são muitos. É muito frequente ver que elas passam por diversos médicos, procuram por uma explicação há muito tempo e que elas conseguem chegar em um diagnóstico por conta própria ou até através de alguma entrevista ou notícia que viram, ou até pela internet/redes sociais”, explica.
O autodiagnóstico acaba por acontecer ou por falta de conhecimento ou por falta de respaldo dos profissionais de saúde. “Muitas têm diagnósticos que se confundem com outras doenças como, por exemplo, foram operadas mais de uma vez de varizes acreditando que a dor na perna vinha de uma questão venosa, que até parcialmente pudesse ser, mas que o lipedema continuava lá, assim como a dor e o incômodo. E nenhum desses profissionais trouxe o lipedema como uma hipótese. Então esses caminhos de confusão diagnóstica como, outro exemplo, dizer que é obesidade, colocar a mulher em dieta, em uma idade muito jovem, sem nenhuma eficácia, e com o passar dos anos fazer com que ela desaprenda a comer, desenvolvendo distúrbios alimentares, é algo bastante grave”, avalia.
Uma lacuna no sistema de saúde
Na prática clínica, esse padrão se repete: pacientes levam anos até obter um diagnóstico preciso, passando por diferentes profissionais e especialidades sem uma resposta definitiva. A falta de reconhecimento do lipedema por parte de muitos profissionais de saúde contribui para esse atraso, ampliando o impacto na vida dessas mulheres.
Esse cenário também expõe uma lacuna estrutural no sistema de saúde. Hoje, o Brasil ainda não conta com protocolos clínicos consolidados para o lipedema no sistema público, o que dificulta o diagnóstico e o acesso ao tratamento. Na ausência de políticas públicas específicas, o custo da doença recai majoritariamente sobre as pacientes, tanto do ponto de vista financeiro quanto assistencial.
Além do prejuízo econômico, o custo também é emocional e físico. A frustração diante da ausência de melhora, a sensação de falha pessoal e a progressão dos sintomas afetam diretamente a qualidade de vida. Em estágios mais avançados, o lipedema pode trazer dor crônica, desconforto e limitações funcionais que impactam a rotina.
Para o médico, o impacto vai além do físico. “Existe um desgaste emocional importante, porque são anos de tentativas sem resultado. Muitas pacientes chegam com a sensação de que fizeram tudo certo, mas ainda assim não tiveram resposta e isso afeta diretamente a autoestima e toda a vida delas”, finaliza.
Para além da prevalência
A discussão sobre o lipedema precisa avançar para além da prevalência e focar também nas consequências do diagnóstico tardio. Dar visibilidade a essa jornada é essencial para ampliar o conhecimento sobre a doença, acelerar o diagnóstico e evitar que mais mulheres percorram o mesmo caminho de tentativas frustradas até o entendimento da doença que realmente têm.
A personagem Leila Alves de Oliveira Lima e o Dr. Fábio Kamamoto estão disponíveis para entrevistas sobre os desafios do diagnóstico tardio do lipedema, os impactos físicos, emocionais e financeiros da doença e o cenário atual no Brasil. Para pautas e agendamentos, entre em contato clicando aqui.
Sobre o Instituto Lipedema Brasil
O Instituto Lipedema Brasil (lipedemabrasil.com.br) é o primeiro centro de referência de Lipedema no país, criado para compartilhar informações, apresentar a doença para a sociedade e mobilizar milhões de mulheres. É o primeiro no país a dedicar estudos, pesquisas e ensino à população e aos profissionais de saúde. Criado e dirigido pelo Dr. Fábio Kamamoto, que atende pacientes com Lipedema desde 2012. Por meio de uma campanha online, o Instituto luta pela democratização do acesso ao tratamento da doença no país, como já acontece em outros países como os Estados Unidos. Atualmente, a campanha conta com mais de 60 mil assinaturas. Para saber mais, acesse @lipedemabrasil .
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