A pesquisa foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Instituto Datafolha
Por: Alírio de Oliveira / defatoonline
42 % dos brasileiros vivem sob influência de milícias e facções criminosas- Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O relatório “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” , divulgado neste domingo (10), aponta que 41,2% dos brasileiros a partir dos 16 anos reconhecem a presença de grupos criminosos organizados, como facções ou milícias nos bairros ou comunidades onde moram, cerca de 68,7 milhões de pessoas convivendo com o poder territorial dessas organizações. *Fonte: Poder360
A pesquisa foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao Instituto Datafolha, com abrangência nacional e 2004 entrevistas em 137 municípios, de 9 a 10 de março de 2026, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
O estudo revela que o medo da violência alterou o cotidiano de 57% dos brasileiros nos últimos 12 meses.
Entre as mudanças mais radicais está a mudança dos seus trajetos habituais, segundo 36,5% dos entrevistados, e 35,6 deixaram de sair à noite.
Já 33, 5% dos entrevistados afirmaram deixar de sair de casa com o celular por medo de assalto.
O relatório aponta também que o crime organizado no Brasil deixou de ser um fenômeno concentrado nas grandes capitais, passando a atuar por difusão territorial, capilarização e interiorização.
“Facções como Comando Vermelho e PCC (Primeiro Comando da Capital), que nasceram em grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro e São Paulo, expandira sua atuação para cidades médias e pequenas, valendo-se de rotas logísticas, alianças com grupos locais, dinâmicas prisionais e inserção em mercados ilícitos e lícitos”.
Para 61,4% dos entrevistados (42,2 milhões de pessoas), o crime organizado influencia muito ou moderadamente as regras de convivência da localidade onde vivem, estilo de vida classificado na literatura acadêmica “duopólio de violência”, no qual o Estado e o crime coexistem na ordenação da vida diária.
“A presença do crime organizado no bairro não se traduz apenas em risco de vitimização, mas em regulação concreta da vida cotidiana. Os efeitos mais frequentes não são os de extorsão, e sim os de restrição de circulação, medo e autocensura”.
O relatório mostra que residir em território com presença do crime organizado impacta a probabilidade de ser vítima de violência. A média nacional de vitimização é de 40,1%, enquanto nas localidades dominadas por facções a taxa sobe para 51,1%.
Nesses locais, o percentual de pessoas que tiveram um familiar ou conhecido assassinado sobe de 13,1% para 17,6%. As vítimas de golpes financeiros digitais saltam de 15,8% para 21,4%. Crimes de rua também são mais frequentes: o roubo de celular cresce de 8,3% para 12,1% e o roubo à mão armada passa de 3,8% para 6,5%.
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