— Eram gritos horríveis e ensurdecedores.
Segundo o policial, que atuava como tesoureiro da UPP Rocinha, os gritos duraram cerca de 40 minutos. Jardim contou ter visto uma viatura chegar com uma pessoa e ouviu perguntas — do tipo, "Não vai falar?" — que davam a entender que tratavam do paradeiro de drogas e armas. O PM disse que a pessoa sufocada respondia o tempo todo: "Não falo".
A imprensa não tem acesso à sala de julgamento. As informações do depoimento foram repassadas pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Capa de moto e incursão em mata
Jardim ainda afirmou ter ouvido barulho de água, como se a usassem para acordar o torturado, e de taser (arma que dá choques). Ele disse que, em seguida, recebeu ordens para pegar uma capa de moto. Segundo as investigações, o corpo de Amarildo teria sido envolvido em uma capa de moto a fim de ser retirado do local.
O PM relata ter visto, antes do fim de seu turno, cinco pessoas se dirigindo para a mata próxima da base da UPP com a capa de moto. O ex-comandante da UPP major Edson Santos também foi visto seguindo em direção à base.
No dia seguinte à tortura, Jardim recebeu ordens do tenente Medeiros para limpar a mesma capa. No contêiner, ele encontrou um balde de água e sangue no chão e em uma mesa branca. Mais tarde, ele acabou se desfazendo da mesa.
Após a sessão de tortura, Jardim disse ter visto duas soldadas em "crise de pânico".
Além de Jardim, prestam depoimento nesta quarta quatro testemunhas convocadas pela acusação.Foto: Ale Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo//Fonte: R7
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