Organização criada para reconstruir Gaza e mediar conflitos globais vem operando fora do mecanismo de transparência do Banco Mundial
Sofia Pilagallo-SBT
Irã apresentou nova proposta de paz aos Estados Unidos | REUTERS/Jonathan Ernst

O fundo destinado a financiar o chamado "Conselho da Paz", organização criada em janeiro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reconstruir a Faixa de Gaza e mediar conflitos globais, não recebeu nenhuma doação até o momento. A informação foi revelada pelo jornal britânico "Financial Times".
Trump pediu aos líderes mundiais uma contribuição de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) em troca da adesão vitalícia ao conselho. Paralelamente, os países que aderiram ao grupo se comprometeram com outros US$ 7 bilhões (R$ 35,5 bilhões), enquanto o presidente anunciou, separadamente, um aporte adicional de US$ 10 bilhões (R$ 50,7 bilhões).
Quatro meses depois, porém, a conta criada no Banco Mundial para armazenar esses recursos continua vazia, segundo quatro fontes ouvidas pelo "Financial Times". Em vez de utilizar essa conta, apoiada pela ONU, os doadores passaram a direcionar as contribuições para uma conta do banco JPMorgan Chase administrada pelo conselho.
Diferentemente do mecanismo do Banco Mundial, essa conta não está sujeita a exigências independentes de transparência. Um funcionário do conselho afirmou que diferentes canais de financiamento foram criados, que os doadores preferiram alternativas ao Banco Mundial e que o órgão divulgará suas finanças à própria diretoria executiva "quando considerar apropriado".
Doações menores
Apesar do fundo vazio, Marrocos e Emirados Árabes Unidos enviaram US$ 3 milhões (R$ 15,2 milhões) e US$ 20 milhões (R$ 101,5 milhões), respectivamente, para estruturas administrativas do pós-guerra em Gaza. Os Emirados também prometeram US$ 100 milhões (R$ 507,5 milhões) para criar uma nova força policial no território, mas os recursos seguem congelados.
A contribuição dos EUA também está paralisada. O governo pretende usar cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões) em ajuda internacional para ações relacionadas ao conselho, mas esse dinheiro ainda não foi efetivamente disponibilizado. Os recursos também não seriam enviados diretamente ao conselho.
Um assessor sênior do Congresso afirmou que o Departamento de Estado não demonstrou intenção de colocar esses recursos sob controle do conselho. Outros US$ 50 milhões (R$ 253,7 milhões) que o órgão pretende transferir diretamente ao grupo também permanecem retidos até que sejam implementadas salvaguardas financeiras adequadas.
Diversos países da União Europeia rejeitaram formalmente convites para integrar o polêmico Conselho da Paz criado por Trump. Líderes de potências como Alemanha, França e Espanha recusaram a iniciativa sob o argumento de que o grupo pode enfraquecer o papel da ONU e violar o direito internacional.
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