Trustee e Banvox, associadas ao empresário Maurício Quadrado, também já foram sido citadas em apurações da Operação Carbono Oculto
Caio Barcellos-sbt
Sede do Banco Central (BC), em Brasília | Divulgação/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Trustee e Banvox são associadas ao empresário Maurício Quadrado, que foi sócio do Banco Master e comandou a área de investimentos da instituição antes de deixar a sociedade, em setembro de 2023.
No caso da Banvox, documentos do próprio BC mostram que a instituição ainda se chamava CM Capital Markets DTVM quando teve o controle direto transferido para a Banvox Holding Financeira e o controle indireto para Quadrado, com efeitos a partir de dezembro de 2023. A mudança do nome para Banvox foi formalizada em 2024.
As duas empresas são enquadradas pela autoridade monetária no segmento S4, que reúne instituições de menor porte e menor complexidade no Sistema Financeiro Nacional (SFN). Em julho, Trustee e Banvox representavam juntas menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema, embora respondessem por 0,76% dos recursos de terceiros sob administração.
A autarquia não detalhou quais irregularidades levaram à liquidação nem afirmou que a medida tenha relação direta com investigações policiais que já alcançaram negócios e fundos ligados às duas distribuidoras.
“O BC continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades, nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes”, disse a autoridade em nota.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, o BC informou que os bens dos controladores e dos ex-administradores da Trustee e da Banvox ficam indisponíveis a partir de hoje, conforme previsto em lei.
As duas empresas, por serem distribuidoras de títulos e valores mobiliários, não aparecem na lista de instituições associadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), de modo que a liquidação não implica, por si só, o pagamento de garantias pelo fundo.
O SBT News entrou em contato com a Banvox e a Trustee, mas não teve resposta até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.
Ligações com o Banco Master
As relações com o entorno do Master passaram a aparecer com maior frequência em investigações a partir de 2025.
Em decisão proferida no início deste ano no caso que apura supostas fraudes envolvendo o banco, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), reproduziu informações da Polícia Federal (PF) segundo as quais havia um inquérito específico para investigar a gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro por responsáveis por administradoras de fundos, entre elas a Trustee, além da Reag e da Ruby Capital. Segundo os investigadores, fundos administrados por essas instituições teriam sido usados para ocultar patrimônio de pessoas ligadas ao setor de combustíveis. Mais no sbtnews
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