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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

PGR pede para arquivar relato em que Vorcaro cita ameaças

Procuradoria-geral disse que o depoimento prestado por Vorcaro a André Mendonça não contém informações que justifiquem abertura de uma investigação
José Matheus Santos, Victor Schneider * SBT
Procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para arquivar o depoimento prestado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao gabinete do ministro André Mendonça, em 27 de agosto. Nele, Vorcaro dizia ter sofrido ameaças e retaliações em diferentes ocasiões por agentes ligados à Polícia Federal (PF) durante os processos de negociação de um acordo de delação premiada.

Para a PGR, o relato feito a Mendonça não trouxe elementos que justificassem a abertura de uma investigação.

"Do exame acurado dos termos da oitiva prestada, constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a manifestação.

André Mendonça é o relator das investigações sobre o Banco Master e retirou na terça (1º) o sigilo de mensagens que teriam sido trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, elevando a tensão institucional.

Como mostrou a Coluna da Basília, a revelação de que Mendonça colheu depoimento sem a presença da Polícia Federal incendiou os bastidores da crise aberta entre a PF e o gabinete do ministro.

Confrontados com a explicação oficial do gabinete de Mendonça de que o depoimento foi colhido em caráter de urgência devido a queixas de Vorcaro sobre a própria PF, delegados da corporação reagiram com ironia: “Alguém acredita nisso?”.

O gabinete justificou a ausência dos policiais com base em normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), segundo as quais o afastamento da equipe responsável pela investigação durante o depoimento pode ser adotado como medida para preservar a integridade física e psicológica do depoente.

Mendonça, na avaliação da PF, estaria agindo como delegado ou até mesmo diretor-geral da polícia ao querer acesso a dados brutos da investigação e também indexados, quando é possível fazer pesquisa no arquivo.

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