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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Alcolumbre cutuca Flávio após pressão para afastar Moraes

Presidente do Senado tem sido cobrado a abrir impeachment após revelações de envolvimento do ministro com Vorcaro, mas fez menção velada a “Dark Horse”
Victor Schneider - SBT
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em sessão nesta quarta-feira (2) | Reprodução/YouTube
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), cutucou senadores da oposição nesta quarta-feira (2) em meio à pressão pela abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Moraes apareceu em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público na terça (2) em diversas conversas por mensagem com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que pede conselhos ao ministro inclusive no dia em que foi preso tentando deixar o país.

Pressionado pelos senadores Carlos Viana (PL-MG) e Carlos Portinho (PL-RJ) a dar seguimento ao processo de impeachment do ministro, Alcolumbre soltou uma indireta em plenário ao candidato do PL à Presidência Flávio Bolsonaro, investigado no mesmo inquérito por negociar repasses milionários com Vorcaro para o filme “Dark Horse", uma cinebiografia em homenagem ao pai Jair Bolsonaro e com previsão de estreia para depois das eleições.

“Vou voltar para a pauta porque senão eu vou ter que responder muitas agressões que como presidente do Senado Federal eu estou recebendo nos últimos dias, e eu acho —apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar — que todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazerem um filme, e agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes", disse Alcolumbre.

Passam de 110 as iniciativas dentro do Senado para retirar Moraes do cargo, o que nunca aconteceu na história do Brasil. A decisão pela abertura é exclusiva do presidente do Senado e a aprovação precisa do voto de dois terços dos senadores: 54. A oposição tem hoje 32 senadores.

Mais cedo, em coletiva a jornalistas, Portinho disse que a questão sobrepujava a importância da própria eleição e deveria ser o foco principal da oposição. "Largaremos campanha eleitoral, porque isso não importa mais", disse.

O comentário de Alcolumbre é reflexo da recente aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após meses de afastamento. O ápice foi um almoço na última semana junto a Hugo Motta (Republicanos-PB) que selou o compromisso do Congresso em avançar com pautas-chave para o Planalto nesta semana antes das eleições.

Nesta quarta (2), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou tanto o projeto que acaba com a escala 6x1 quanto o texto-base da PEC da Segurança Pública, que estavam parados há meses. Ontem, o plenário aprovou o Redata, que incentiva a instalação e ampliação de datacenters no Brasil, e hoje deu aval ao plano nacional de minerais críticos.

Na quinta (3), a medida provisória da "taxa das blusinhas", que encerra a cobrança de imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, tem previsão de ser pautada na Câmara e no Senado.

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