
Esta quinta-feira, dia 27, foi de aprendizado e conscientização para 68 mulheres atendidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS IV), no São Caetano. O grupo participou de rodas de conversa para saber identificar situações em que sejam vítimas de violência. A iniciativa celebra a Campanha Agosto Lilás pelo fim da violência doméstica e familiar contra as mulheres.
As mulheres atendidas integram o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo (SCFV) e os programas Primeira Infância, Itabuna Mãe, Laços Atípicos e de Mulheres, todos do Serviço de Proteção Integral à Família (PAIF).
Em três salas, psicólogos e assistentes sociais falaram sobre a violência doméstica, com dinâmicas, dentre elas, a da Mochila Invisível. Foi o caso das mulheres assistidas pelos Laços Atípicos e Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos que colaram uma mala de papéis com palavras que representam sentimentos e contextos que desejam superar.
“Abrimos um espaço para a reflexão sobre tudo que pesa na vida dessas mulheres. Pedimos que isso fosse colocado dentro de uma mala. O momento foi para reviver contextos relacionados à insegurança, medo e violência. A mala representa o que fica no passado, enquanto o lado externo, o que queremos construir e multiplicar”, explicou Cibele Lessa, psicóloga do CRAS IV.
Teve ainda salas com os temas “Nem tudo é amor” e “Fatos Fictícios”, enquanto nas rodas de conversa, as equipes explicaram as formas de violência e fizeram relatos de situações reais envolvendo pessoas da rede socioassistencial.
A coordenadora do CRAS IV, Mônica Cunha, disse que o formato de conversas com os técnicos da unidade foi uma maneira de aproximar ainda mais assistidas da Rede de Proteção. “A equipe se preparou para trabalhar com essas mulheres sobre todas as formas de violências, inclusive a violência vicária, quando o agressor chega a matar os filhos para atingir a mãe”, afirmou.
A coordenadora do CRAS afirmou que a culpa, o medo, a insegurança, o desrespeito e a violência formam o centro da ação que se precisa combater. “Essa iniciativa alinhou as perspectivas da proteção social básica e do trabalho preventivo por meio do CRAS para levar informação, identificar demandas, fazer articulação e fortalecer a rede disponível de serviços para que elas possam ter acesso e conhecimento”, disse Mônica.
Grávida de sete meses, Gabriele Santos é acompanhada pelo Programa Itabuna Mãe. Ela contou que já foi vítima de violências física e psicológica e que atualmente a roda de conversa a ajudou ainda mais a identificar violações. “A gente passa por situações que às vezes não percebe”, disse.
“A violência psicológica é de forma sutil e a gente se perde dentro do relacionamento achando que é normal. Foi boa essa troca de experiência com outras mulheres para que entendam mais sobre as formas de violência”, relatou a dona de casa.
Ao final do evento, as mulheres acenderam velas como forma de mostrar que a luz. “Uma única luz ilumina pouco, mas quando várias mulheres se unem, nenhuma escuridão resiste. Então, essa luz representa coragem, apoio e esperança para todas nós”, disse a coordenadora do CRAS IV, Mônica Cunha.


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