
Lorena Fassina / SNB
Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, pertence ao povo Sateré-Mawé e conquistou o primeiro lugar em Medicina na UFPA, em Altamira. Foto: Reprodução/Instagram/@jan.satere
Que orgulho! Um indígena passou em 1º lugar em Medicina depois de uma trajetória marcada por muita persistência. Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, do povo Sateré-Mawé, conquistou a primeira colocação no curso da Universidade Federal do Pará (UFPA), no campus de Altamira, no Pará. A classificação consta no resultado oficial do Processo Seletivo Especial 2025 da universidade.
Natural do Amazonas, Janilson cresceu em uma realidade simples e precisou enfrentar dificuldades desde muito cedo para continuar estudando. Para chegar à escola, caminhava cerca de 8 quilômetros e, em alguns anos, começou as aulas sem ter sequer caderno ou lápis.
“A publicação contou como tudo começou. O restante da história ainda estou construindo aos poucos”, escreveu Janilson recentemente ao agradecer as mensagens que recebeu depois que sua trajetória voltou a ganhar repercussão nas redes sociais.
Caminhava 8 km e vendia banana para comprar caderno
A infância de Janilson foi de muita dificuldade. Para chegar à escola, ele precisava percorrer cerca de 8 quilômetros. E conseguir estar na sala de aula era apenas parte do desafio.
Houve ano em que Janilson começou a estudar sem ter caderno nem lápis. Para comprar os próprios materiais escolares, vendia banana, farinha e peixe. Professores que acompanhavam a dedicação dele também chegaram a ajudá-lo com materiais para que pudesse continuar os estudos.
Foi assim, com o que conseguia tirar das vendas e com a ajuda que recebia pelo caminho, que Janilson construiu a própria base escolar. “Graças a isso consegui a base de estar aqui hoje”, contou.
Sonho de ser médico nasceu dentro da família
A escolha pela Medicina também tem relação com experiências muito pessoais. Janilson acompanhou de perto problemas graves de saúde dentro da própria família, situações que ajudaram a despertar nele o desejo de cuidar de outras pessoas.
Um tio enfrentou um câncer, uma irmã recebeu o diagnóstico de uma doença rara e um dos irmãos morreu após contrair malária. Essas experiências fizeram com que a área da saúde ganhasse ainda mais significado para ele.
“Quero ser um profissional dedicado à saúde e ao cuidado com o próximo. Quero fazer a diferença na sociedade”, afirmou Janilson ao falar sobre o futuro que pretende construir na Medicina. Mais no sonoticiaboa
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