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quarta-feira, 15 de julho de 2026

PF indicia 48 por descontos indevidos de aposentados do INSS

Ex-presidente do instituto, Careca do INSS e chefe da Conafer estão entre os alvos do primeiro inquérito concluído na Operação Sem Desconto
Anita Prado, Jessica Cardoso
Sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em Brasília | Divulgação/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
A Polícia Federal indiciou 48 pessoas em um dos inquéritos da Operação Sem Desconto, que investiga descontos irregulares e não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), segundo apurou o SBT News.

Entre os investigados estão o ex-presidente da autarquia Alessandro Stefanutto, o presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o ex-procurador-geral do instituto Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho.

O indiciamento consta no primeiro relatório final apresentado pela corporação no âmbito da operação. O documento foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, na última sexta-feira (10).

A investigação da PF apura a atuação da Conafer em um esquema de cobranças associativas feitas sem autorização de aposentados e pensionistas.

Segundo levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU), a entidade recebeu cerca de R$ 484 milhões entre 2019 e 2024, tornando-se a segunda associação com maior volume de recursos obtidos pelo esquema.

Do total de R$ 397,3 milhões em créditos considerados atípicos pela apuração, R$ 376,5 milhões tiveram origem no Fundo do Regime Geral de Previdência Social, que financia o pagamento de aposentadorias e pensões dos segurados do INSS.

Leia abaixo os crimes atribuídos aos principais investigados:
Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva;
Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer: organização criminosa, lavagem de dinheiro majorada e reiterada e corrupção ativa majorada;
Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”: lavagem de dinheiro e participação em corrupção passiva;
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS: organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

O outro lado
O SBT News procurou a defesa dos investigados e aguarda resposta. Eles negaram envolvimento nas irregularidades ao deporem, no ano passado, à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, criada pelo Congresso para investigar as fraudes.

À época, Stefanutto afirmou que não participou de irregularidades e atribuiu o aumento dos descontos associativos a uma mudança de entendimento jurídico que teria ampliado a possibilidade desse tipo de cobrança nos benefícios previdenciários. Mais no sbtnews

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