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sexta-feira, 1 de maio de 2026

“Fui julgado incapaz para todo e qualquer serviço”: a história de Moysés Toniolo, policial afastado após diagnóstico de HIV que transformou exclusão em luta

Aos 29 anos, sargento da PM da Bahia viu a carreira interrompida após diagnóstico de HIV; hoje, atua na formulação de políticas públicas e denuncia a discriminação no mundo do trabalho
Aos 29 anos, no auge de uma carreira em ascensão na Polícia Militar da Bahia, Moysés Longuinho Toniolo de Souza recebeu um diagnóstico que mudaria completamente o rumo da sua vida: HIV, já em estágio de aids.

Era 1999. Um tempo marcado pelo medo, pela desinformação e pelo estigma. “Eu só pensava assim: eu vou morrer e eu tenho que deixar tudo acertado para a minha família”, relembra.

Hoje, mais de duas décadas depois, Moysés integra a Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids e coordena a Comissão de Patologias no Conselho Nacional de Saúde. Atua na construção de políticas públicas e na defesa dos direitos de pessoas vivendo com HIV — mas ainda carrega as marcas profundas de uma trajetória atravessada pela exclusão no mundo do trabalho.

Uma carreira interrompida
Antes do diagnóstico, o futuro parecia traçado. Professor formado pelo magistério, Moysés ingressou na Polícia Militar em busca de estabilidade. Passou em primeiro lugar no concurso e rapidamente construiu uma trajetória sólida.

“Eu fiz o concurso por conta da estabilidade.”

Tornou-se sargento especialista em comunicação e, em 1997, deu um novo passo: prestou vestibular para a Academia da Polícia Militar, caminho para se tornar oficial. Mas, entre a aprovação e a convocação, veio a ruptura.

O diagnóstico em um tempo de medo
A descoberta do HIV ocorreu após uma cirurgia e uma recuperação inesperadamente lenta. Exames confirmaram um quadro avançado.

“Eu estava com 540 mil cópias do vírus/mm³ e com 237 de CD4. Eu já estava em aids.”

O impacto foi imediato — e devastador. “Eu estava extremamente debilitado. Não sabia nada sobre a doença. Tinha medo de tudo.”

O tratamento, à época, era duro. “Eu passei a tomar 22 comprimidos por dia. Isso fez da minha vida um inferno.” Mais na agenciaaids

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