O tempo excessivo de tela, segundo estudos, tem associação direta com aumento do grau de miopia, dores de cabeça e aumento do risco de obesidade, entre outras condições.
Dra. Marcela Barreira / oftalmologista infantil

O recado desse estudo é que o tempo excessivo de tela está diretamente associado a uma série de problemas de saúde, tanto oculares quanto sistêmicos. A meta-análise, intitulada Digital Screen Time and Myopia: A Systematic Review and Dose-Response Meta-Analysis, foi publicada no JAMA, em meados de 2025.
De acordo com dados desse estudo, as crianças que usam esses dispositivos eletrônicos por mais de 3 horas por dia, apresentam maior prevalência de dores de cabeça, dor nos olhos, sensação de corpo estranho, vermelhidão, cansaço visual e lacrimejamento.
Dentre os dispositivos, o mais prejudicial para a saúde ocular é o celular. Em um outro estudo, com crianças entre 6 e 7 anos, 70% delas relataram sintomas como dores de cabeça, dor nos olhos piscar excessivo, visão borrada, sensação de corpo estranho e coceira nos olhos.
O estudo apontou ainda que os efeitos de longo prazo do uso do celular, por mais de 3 horas por dia, incluíram progressão acelerada da miopia, bem como um aumento de 21% no risco de desenvolver esse erro refrativo.
Miopia em alta: o impacto em longo prazo
Segundo a oftalmologista infantil, Dra. Marcela Barreira, especialista também em Estrabismo e Neuroftalmologista, esses estudos reforçam a urgência na necessidade de alertar pais e responsáveis sobre os prejuízos do excesso de tempo em frente às telas.
“Atualmente, a miopia é altamente prevalente na infância e o uso do celular, por muitas horas, está diretamente ligado ao risco não só do surgimento da miopia, quanto ao aumento do grau. O que nem todo mundo sabe é que graus moderados e altos desse erro refrativo podem resultar em problemas na vida adulta, como descolamento de retina e desenvolvimento de um glaucoma, por exemplo”, alerta Dra. Marcela.
“Para além da miopia, temos os sintomas que prejudicam a qualidade de vida da criança. É comum queixas como as dores de cabeça, cansaço visual, sensação de areia nos olhos, entre outros que o estudo mostrou e que é que recebemos muito no dia a dia do nosso consultório. Cada vez mais, crianças pequenas apresentam essas manifestações oculares”, acrescenta a especialista.
Adicionalmente aos riscos para a saúde ocular, o excesso de telas aumenta a chance de a criança desenvolver obesidade. O estudo apontou que crianças que passam mais de 3 horas em frente às telas possuem um risco 1,37 maior de se tornarem obesas.
Os pesquisadores também alertaram os pais sobre os prejuízos para o sono, bem como para o aumento do risco de desenvolver transtornos mentais, como ansiedade, sintomas depressivos, irritabilidade de dificuldades de relacionamento.
Como proteger a saúde ocular e sistêmica das crianças
O tempo excessivo de tela é uma realidade na maioria dos lares brasileiros onde moram crianças e adolescentes. Em muitos casos, pode parecer impossível reduzir o tempo de telas para essa população. Mas é preciso!
Veja algumas medidas que podem ajudar a minimizar o risco dos problemas citados acima:Os pais devem limitar o tempo diário de uso das telas, especialmente os celulares. O ideal é que a criança não use mais de 3 horas. Ou melhor, quanto menos tempo de uso, menor será o risco de surgirem problemas oculares e outras condições;
A cada 20 minutos, oriente a criança ou adolescente a fazer uma pausa e olhar para algo a aproximadamente 6 metros, por 20 segundos;
Procure aumentar o tempo da criança ou adolescente ao ar livre, ou seja, a exposição à luz natural;
Lembre-se que crianças menores de 2 anos não devem ser expostas às telas, de maneira alguma. Nessa faixa etária, a televisão pode ser uma boa alternativa, desde que seja por pouco tempo e que a criança fique distante da tela.Conclusão
O tempo excessivo de tela é uma problema real e vivido por milhares de famílias ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Como a tecnologia faz parte do cotidiano e pode ser difícil proibir o uso dos dispositivos eletrônicos, é importante adotar medidas para reduzir os riscos para a saúde ocular e sistêmica.
“Por fim, também é crucial que os pais levem as crianças regularmente ao Oftalmologista. A identificação precoce de erros refrativos é importante. Para a miopia, por exemplo, já existem métodos que podem controlar o aumento do grau, como lentes especiais e colírios”, finaliza Dra. Marcela.
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