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terça-feira, 31 de março de 2026

Como a escalada na violência contra a mulher impacta a sua saúde mental: ‘A identificação é inevitável’

O consumo intenso de informações pode gerar ansiedade e outros transtornos. Entenda os sintomas e como aliviá-los
Segurança Pública, em 2025, foram registrados 1.568 assassinatos por motivos de gênero no Brasil. O sentimento de angústia e insegurança é generalizado. “No final das contas, você sabe que poderia ser você e que, em algum momento, ainda pode”, diz a psicóloga Núbia Anjos.

Como manter a saúde mental diante desse cenário?
O corpo responde às notícias, mesmo que de forma inconsciente. A exposição constante ao risco de violência, direta ou indireta, gera tensão física pela liberação de cortisol, o hormônio do estresse. A hipervigilância e a ansiedade são comuns e frequentes.

Karoline Oliveira, psicóloga clínica, diz: “Às vezes, situações que não pareciam oferecer risco antes passam a gerar preocupação. É um mecanismo de autoproteção. Então, uma lista de alertas [passa a fazer parte do seu cotidiano]: se você sair na rua, pode ser que passe por isso; se estiver no trabalho, aquilo pode ser uma questão; se ficar em casa com homens, pode ser que aconteça com você”.

Cada vez mais fotos, vídeos e manchetes sobre violência contra a mulher tomam conta do noticiário e das timelines. De acordo com o painel Estatísticas do Poder Judiciário, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) , em 2025 foi registrado um aumento de 17% nos julgamentos para o crime de feminicídio, somando mais de 15,4 mil decisões. O cenário segue preocupante. Em janeiro último, ingressaram 947 novos casos, número 3,49% superior ao ano anterior, que contabilizou 915. E, com o aumento das ocorrências, também cresce a cobertura sobre o assunto.

Toda mulher já deixou de viver determinadas experiências por medo. E, como os dados mostram, não é algo subjetivo. Medo de dizer, de transitar, de existir. “Talvez esse seja o sentimento mais presente desde que chegamos ao mundo. Vamos crescendo com medo da vida”, reforça Anjos.

A dessensibilização frente à enxurrada de conteúdos também é um desdobramento. O cérebro busca uma forma de normalizar as violências, na tentativa de se adaptar ao contexto. “A identidade da pessoa pode se tornar ansiosa, afetando as próprias relações sociais, seja na repetição de padrões violentos consigo mesma e outras pessoas ou pela exaustão crônica”, Retoma Oliveira.

Soma-se à carga mental
A saúde emocional feminina é atravessada por diversos fatores ligados exclusivamente ao gênero. A sobrecarga com tarefas de cuidado é um fator generalizado: 57% das mulheres entre 36 e 55 anos são responsáveis por cuidar de alguém e, entre estas, 1 em cada 4 está insatisfeita ou extremamente insatisfeita com sua saúde emocional. Os dados são do levantamento Esgotadas: o empobrecimento, sobrecarga de cuidado e o sofrimento psíquico das mulheres (2023), realizado com 1078 mulheres de todas as classes e regiões do Brasil, pelo Lab Think Olga. Mais na agenciaaids

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