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domingo, 15 de março de 2026

Seis anos após primeiro caso, covid-19 ainda provoca mortes na Bahia

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Seis anos após a chegada da covid10 ao Brasil, a doença continua provocando mortes na Bahia. Dados mais recentes da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) mostram que foram confirmados cinco óbitos associados à infecção neste ano. Embora o cenário esteja muito longe do colapso sanitário registrado no auge da pandemia, especialistas alertam que o vírus segue circulando e exige atenção, especialmente entre pessoas mais vulneráveis. Via Correio24horas

As mortes aparecem em meio a um quadro mais amplo de circulação de vírus respiratórios. De acordo com o boletim epidemiológico da Sesab, atualizado até 8 de março, a Bahia registrou 919 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas primeiras semanas de 2026. Desses, 32 evoluíram para óbito. Entre as mortes confirmadas, cinco foram causadas pela covid e uma pela influenza, enquanto os demais casos estão relacionados a outros vírus respiratórios ou ainda aguardam definição laboratorial.

Apesar da redução expressiva em relação aos anos mais críticos da pandemia, os dados reforçam que a covid não desapareceu. O infectologista Victor Castro Lima afirma que tanto o coronavírus quanto o vírus da gripe continuam sendo identificados em atendimentos médicos e internações hospitalares.

“Esses dados demonstram que nós temos tanto covid quanto influenza circulando. Nós estamos observando isso nos consultórios e nos hospitais, com pessoas internando. Não é um cenário de pandemia, nem de calamidade, mas são vírus que continuam circulando e que exigem cuidados”, afirma.

Segundo o especialista, pessoas com sintomas respiratórios devem evitar contato com outras pessoas, principalmente aquelas que fazem parte dos grupos de risco, como idosos, gestantes e indivíduos com doenças crônicas. “Quem estiver com sintomas deve evitar sair de casa sempre que possível, reforçar a higienização das mãos e usar máscara se precisar sair. São medidas simples, mas que ajudam a reduzir a transmissão”, explica.

A infectologista Anne Layze Galastri destaca que a vacinação continua sendo uma das principais estratégias para evitar quadros graves da doença. De acordo com ela, manter a caderneta de imunização atualizada é fundamental para reduzir internações e mortes associadas aos vírus respiratórios. “Através da vacinação conseguimos reduzir de forma drástica a necessidade de internação, de UTI e até mesmo os óbitos associados a essas infecções. Mesmo quem se vacinou em anos anteriores precisa manter o esquema atualizado”, afirma.

Os dados também indicam maior vulnerabilidade em alguns grupos. As internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave, que incluem casos de covid, são mais frequentes entre crianças pequenas, enquanto os óbitos se concentram principalmente entre idosos. Por isso, especialistas reforçam a necessidade de atenção redobrada e vacinação atualizada para esses grupos mais vulneráveis.

Histórico
A permanência de mortes por covid-19 ocorre seis anos após os primeiros registros da doença no estado. A primeira morte provocada pelo coronavírus na Bahia foi confirmada em 29 de março de 2020, no início da pandemia. A vítima foi um homem de 74 anos que estava internado em um hospital privado de Salvador. Ele apresentava quadro grave da doença, estava entubado e em diálise contínua. Segundo a Sesab, o óbito ocorreu na noite de 28 de março e foi divulgado oficialmente no dia seguinte.

Naquele período, a pandemia avançava rapidamente e provocava forte impacto nos sistemas de saúde e funerário. Em Salvador, por exemplo, o número de sepultamentos realizados em cemitérios administrados pela prefeitura registrou aumento de 551% entre abril e maio de 2020. Em abril daquele ano, foram contabilizados 37 enterros de pessoas que morreram em decorrência da doença. No mês seguinte, esse número saltou para 241.

O momento mais crítico da pandemia ocorreu em 2021, quando a doença atingiu níveis recordes de mortes no estado. Em 7 de abril daquele ano, um boletim epidemiológico registrou 189 óbitos confirmados em um único dia, o maior número desde o início da crise sanitária. Embora os registros correspondessem a mortes ocorridas em diferentes datas, o dado ilustra a dimensão da tragédia vivida naquele período.

Hoje, o cenário é considerado mais controlado graças ao avanço da vacinação e ao desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. Ainda assim, médicos alertam que o coronavírus continua presente e pode provocar quadros graves, especialmente entre pessoas não vacinadas ou com condições de saúde que aumentam o risco de complicações.

Para Victor Castro Lima, o momento atual exige vigilância e responsabilidade coletiva. “Não é um cenário de desespero ou de calamidade, mas é um cenário que exige atenção e cuidados. A vacinação e as medidas básicas de prevenção continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão e evitar casos graves”, afirma.

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