Fernando Frazão/Agência Brasil

Os estudos são liderados pela bióloga Tatiana Sampaio Coelho e começaram há mais de 25 anos. Durante a maior parte desse período, a pesquisa se concentrou na chamada fase pré-clínica, que inclui testes em laboratório, culturas de células e estudos com animais antes de qualquer aplicação em seres humanos.
O que é a polilaminina
A substância foi descoberta de forma inesperada durante experimentos com laminina, proteína presente em diversas partes do corpo humano.
Ao testar um solvente para separar os componentes dessa proteína, a pesquisadora percebeu que, em vez de se dividir, as moléculas começaram a se unir e formar uma rede, originando a polilaminina. Embora essa união ocorra naturalmente no organismo, nunca havia sido reproduzida em laboratório.
A partir dessa descoberta, os cientistas passaram a investigar possíveis aplicações. No sistema nervoso, as lamininas funcionam como uma espécie de base estrutural para os axônios, prolongamentos dos neurônios responsáveis pela transmissão de sinais elétricos e químicos.
Quando ocorre uma lesão na medula, esses axônios são rompidos, interrompendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo — o que provoca a paralisia. A hipótese dos pesquisadores é que a polilaminina possa servir como uma nova estrutura para estimular o crescimento dos axônios, restabelecendo essa comunicação.
Estudo piloto com pacientes
Após resultados positivos em ratos, a equipe realizou um estudo-piloto entre 2016 e 2021, aplicando a substância em oito pessoas com lesão medular completa causada por acidentes, quedas ou ferimentos por arma de fogo.
Sete desses pacientes também passaram por cirurgia de descompressão da coluna, procedimento padrão em casos de lesão medular, realizado até três dias após o trauma.
Três participantes morreram em decorrência da gravidade das lesões. Já cinco pacientes que receberam a polilaminina apresentaram algum ganho motor, embora isso não signifique necessariamente a recuperação completa da capacidade de andar.
A evolução foi medida pela escala AIS, que classifica o grau de comprometimento neurológico de A (mais grave) a E (normal). Quatro pacientes passaram do nível A para C, recuperando sensibilidade e alguns movimentos, enquanto um avançou para o nível D, com recuperação quase total das funções motoras.
Entre eles está Bruno Drummond de Freitas, que ficou tetraplégico após um acidente em 2018. Ele relatou que conseguiu mover o dedão do pé poucas semanas depois da cirurgia combinada com a aplicação da polilaminina.
“Foi uma virada de chave. Na hora, para mim, não tinha valor mexer o dedão do pé e não mexer mais nada. Mas todo mundo comemorou, e me explicaram que, quando passa um sinal do cérebro até uma extremidade, significa que o sinal está percorrendo o corpo inteiro”, contou ao programa Sem Censura, da TV Brasil. Mais no aloalobahia
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