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sábado, 21 de março de 2026

Mês das Mulheres: Sem política pública, cresce a pressão por acesso ao tratamento do lipedema no SUS e nos planos de saúde

Pacientes, especialistas e entidades ampliam mobilização por diagnóstico e tratamento, enquanto cartilha técnica tenta destravar o debate no sistema público e nos planos de saúde
São Paulo, 20 de março de 2026 – Na ausência de políticas públicas no Brasil, o lipedema, doença crônica que afeta majoritariamente mulheres e provoca dor, inflamação e acúmulo desproporcional de gordura, começa a ganhar tração no debate sobre acesso à saúde. Estudos indicam que cerca de 10% das mulheres em todo o mundo podem ter a doença, muitas ainda sem diagnóstico. No Brasil, a ausência de protocolos clínicos estruturados no sistema público e a classificação controversa do tratamento cirúrgico pelos planos de saúde ampliam a lacuna assistencial.

Esse cenário tem impulsionado uma mobilização crescente de pacientes, especialistas e organizações civis para mudar o enquadramento da doença no país. No campo legislativo, o PL 5582/2023 propõe a inclusão do lipedema no Sistema Único de Saúde, com garantia de diagnóstico, acesso a tratamentos, capacitação de profissionais e criação de protocolos clínicos: medidas consideradas estruturantes para organizar a linha de cuidado no país. Ainda em tramitação, o projeto reforça a pressão por reconhecimento da doença.

À frente dessa articulação, o diretor do Instituto Lipedema Brasil, o Dr. Fábio Kamamoto, defende a criação de uma linha de cuidado no Sistema Único de Saúde e critérios objetivos para indicação cirúrgica. “Hoje há um volume expressivo de mulheres sem diagnóstico e sem acesso ao tratamento adequado. Sem política pública, o custo recai integralmente sobre a paciente, física e financeiramente”, afirma.

No sistema privado, a pressão também cresce. No Brasil, ainda há alta taxa de negativas de cobertura, sob o argumento de caráter estético. Isso tem levado à judicialização e ao aumento de custos indiretos para o sistema.

Cartilha e mobilização - Como resposta, a sociedade civil tem se organizado. A ONG Movimento Lipedema lançou recentemente uma cartilha técnica voltada a gestores públicos e profissionais de saúde, com orientações que buscam padronizar condutas e apoiar a inclusão do tema em políticas públicas. A entidade também atua no acolhimento de pacientes e já ajudou – com auxílio da iniciativa privada - no tratamento cirúrgico gratuito de pacientes nos últimos anos. O texto está disponível de forma gratuita através do movimentolipedema.org ou das redes da @ongmovimentolipedema.

Brasil x Mundo - No exterior, países europeus vêm avançando na formalização de protocolos e, em alguns casos, na cobertura parcial do tratamento, especialmente quando há comprometimento funcional. A comparação reforça o descompasso brasileiro e amplia a pressão interna por mudanças regulatórias e assistenciais.

Com o tema ganhando visibilidade, especialmente no contexto da saúde feminina e em pleno mês das mulheres, o país está diante de um momento de virada. A combinação de evidência científica, mobilização social e avanço de propostas como o PL 5582/2023 deve acelerar a inclusão do lipedema na agenda do SUS e da saúde suplementar nos próximos anos. “Temos uma oportunidade concreta de avançar, incluir o lipedema de forma estruturada e de reduzir custos futuros para todo o sistema de saúde”, finaliza o Dr. Kamamoto.

Sobre o Instituto Lipedema Brasil
O Instituto Lipedema Brasil é o primeiro centro de referência em lipedema no país, criado para compartilhar informações, fomentar pesquisa e mobilizar pacientes e profissionais de saúde. Fundado em 2021 pelo Dr. Fábio Kamamoto, atualmente possui três unidades — duas em São Paulo e uma em Salvador.

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