Doença muito perigosa e silenciosa está se alastrando pelo Brasil rápido demais
(Reprodução/Freepik)
A obesidade tem avançado rapidamente no Brasil e traz um alerta entre especialistas em saúde pública. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o número de adultos brasileiros com obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024, segundo a pesquisa Vigitel 2025. Atualmente, mais de 60% da população do país está acima do peso e cerca de 25% já apresentam obesidade.
O problema, considerado uma doença crônica e multifatorial, também preocupa entre crianças e adolescentes. Informações do Atlas Mundial da Obesidade 2026, divulgadas no Dia Mundial da Obesidade, apontam que milhões de jovens brasileiros convivem com excesso de peso, o que pode trazer consequências graves para a saúde ao longo da vida.
No Brasil, cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos vivem com sobrepeso ou obesidade. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, o número chega a 9,9 milhões. Ao todo, são aproximadamente 16,5 milhões de jovens brasileiros nessa condição.
As consequências já começam a aparecer ainda na infância. Em 2025, quase 1,4 milhão de crianças e adolescentes foram diagnosticados com hipertensão associada ao Índice de Massa Corporal (IMC). Outros 572 mil apresentaram hiperglicemia, enquanto 1,8 milhão tiveram triglicerídeos elevados e cerca de 4 milhões desenvolveram doença hepática esteatótica metabólica, caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado.
Segundo a Federação Mundial de Obesidade, o cenário global também preocupa. Atualmente, cerca de 20,7% das crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos no mundo vivem com sobrepeso ou obesidade — o equivalente a 419 milhões de jovens. A projeção é que esse número ultrapasse 507 milhões até 2040.
Alimentação e ambiente influenciam o avanço
Especialistas apontam que o crescimento da obesidade está ligado a fatores complexos, que vão além de escolhas individuais. Elementos biológicos, sociais e ambientais influenciam diretamente o risco de desenvolver a doença.
Entre os fatores citados estão o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados e o maior custo de alimentos naturais. De acordo com a endocrinologista Maria Edna de Melo, frutas tiveram inflação mais de 40% superior à de refrigerantes, o que contribui para escolhas alimentares menos saudáveis.
Além disso, o ambiente em que as pessoas vivem, trabalham e estudam também influencia o comportamento alimentar e os níveis de atividade física.
A Federação Mundial de Obesidade alerta que muitos países ainda estão aquém das políticas necessárias para combater o problema. Entre as medidas sugeridas estão a taxação de bebidas açucaradas, restrições à publicidade de alimentos voltada a crianças, incentivo à prática de atividade física e melhoria da qualidade da alimentação escolar.
Especialistas também destacam que tratar a obesidade apenas como falta de “força de vontade” pode dificultar o acesso ao tratamento e reforçar estigmas que afetam a saúde física e mental dos pacientes.
Apesar disso, pesquisas indicam que a percepção da população começa a mudar. Cerca de 7 em cada 10 pessoas no mundo já reconhecem a obesidade como uma condição médica que exige acompanhamento contínuo. No Brasil, esse percentual ainda é menor, ficando em torno de 55%.

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