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“Senhoras e senhores, aqui quem fala é o comandante desse voo.” A frase é comum nos alto-falantes das aeronaves e costuma reforçar um imaginário ainda presente na aviação: o de homens na cabine de comando e mulheres atuando como comissárias. Na prática, a participação feminina no setor ainda é pequena. Dados de 2024 da Agência Nacional de Aviação Civil mostram que apenas 3,2% dos pilotos e mecânicos de manutenção aeronáutica no Brasil são mulheres. Kirk Moreno com supervisão de João Victor Moraes / Alô Alô Bahia

Natural de Salvador, Roberta conta que desde jovem era fascinada pelo universo da aviação. Apesar do interesse, o sonho parecia distante. Na época, ela não conhecia mulheres que atuassem como pilotos e não tinha contato direto com profissionais da área. A virada aconteceu quando viu, nas redes sociais, uma mulher pilotando um avião — momento em que passou a enxergar a profissão como uma possibilidade real.

Formada aos 21 anos, hoje, aos 30, ela já acumula experiência na área e segue construindo sua trajetória. Um dos principais desafios, segundo a pilota, é atuar em um ambiente ainda predominantemente masculino.
“Muitas vezes você precisa provar sua competência duas vezes: primeiro por ser profissional, depois por ser mulher. Existe uma cobrança maior, um olhar mais crítico, mas sempre deixei que meu preparo falasse por mim”, afirma.
Atualmente morando em São Paulo, Roberta diz que leva consigo as referências da terra natal. “Carrego a força, a alegria e a resiliência do povo baiano. Salvador me ensinou sobre identidade e sobre ter orgulho de quem eu sou. Levo essa essência para a cabine: firmeza nas decisões, mas também humanidade”, destaca.
Hoje, ela atua na aviação executiva, no setor de compartilhamento aéreo, pilotando jatos como o Embraer Phenom 100 e o Embraer Phenom 300. A rotina exige atualização constante, disciplina e aperfeiçoamento técnico — fatores que considera essenciais para evoluir na carreira.
Para Roberta, ampliar a presença feminina na aviação também passa pelo exemplo. “A cabine de comando não tem gênero, tem preparo, dedicação e responsabilidade. O caminho pode ser mais desafiador, mas também é muito transformador. Quando uma mulher chega, ela abre caminho para muitas outras”, conclui.
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