
Rinaldo de Oliveira - SNB
Abelha operária coletando resina de alecrim-do-campo para produzir própolis verde, que tem potencial contra Alzheimer, segundo pesquisa da USP. – Foto: Michel Stórquio Belmiro/Wikimedia Commons/CC BY-SA 3.0
Mais uma descoberta sobre a força desse produto feito pelas abelhas. Um novo estudo da USP mostra que a cera de própolis verde tem potencial para combater o Alzheimer e é encontrada apenas no Brasil.
A pesquisa está sendo desenvolvida por cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.
A novidade traz novas esperanças para o tratamento de doenças degenerativas cerebrais.
Propriedades da cera própolis
Própolis é uma espécie de resina, uma cera produzida pelas abelhas a partir da coleta de brotos, flores e cascas de plantas, junto com a saliva delas.
As abelhas usam a resina de própolis como um antibiótico natural para proteger a colmeia contra vírus, fungos e bactérias.
E isso serve também para a saúde de seres humanos. Própolis é reconhecida há tempos por suas propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e cicatrizantes.
Por que é exclusividade brasileira?
A pesquisa da USP identificou que substâncias existentes na cera de própolis verde podem auxiliar na reconstrução das conexões neurológicas danificadas por doenças degenerativas do cérebro.
Esse tipo de própolis verde é produzido a partir da resina do alecrim-do-campo e tem alta concentração de compostos anti-inflamatórios e antioxidantes.
A pesquisa de doutorado é do farmacêutico Gabriel Rocha Caldas. E ele lembra que trata-se de um recurso prioritariamente nacional porque a própolis verde é uma exclusividade brasileira que pode gerar impactos científico, econômico: ela “pode ser explorada em trabalhos futuros, seja por mim ou por outros grupos de pesquisa interessados no potencial terapêutico da própolis verde”, disse ao Jornal da USP.
Para chegar a essa conclusão, a pesquisa isolou dois compostos específicos encontrados na cera de própolis verde: o artepelin C e a bacarina.
Testes laboratoriais com essas substâncias chegaram à notícia boa. Eles mostraram que própolis verde tem potencial para favorecer as conexões entre neurônios e proteger as células nervosas dos danos causados por doenças como o Alzheimer.
Mas os cientistas lembram que, apesar de promissores, os resultados ainda são iniciais.
Agora eles precisam fazer estudos adicionais em animais e humanos para confirmar a eficácia e segurança da descoberta, por isso ainda não recomendam a aplicação clínica do produto feito pelas abelhas em caso de doenças degenerativas.
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