
A farmacêutica Gilead Sciences apresentou resultados promissores de dois estudos clínicos de fase avançada que avaliam um comprimido experimental de próxima geração para o tratamento do HIV. A combinação reúne dois medicamentos potentes — bictegravir e lenacapavir — em um único regime diário, com potencial para simplificar terapias complexas e ampliar as opções disponíveis para pessoas vivendo com o vírus. Redação da Agência Aids com informações da Fierce Pharma
Os dados, apresentados durante a Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), indicam que o novo tratamento mantém a supressão viral com eficácia comparável às terapias padrão atuais, além de melhorar a satisfação dos pacientes e alguns parâmetros metabólicos.
O tratamento experimental, atualmente chamado de BIC/LEN, combina:
* Bictegravir — antirretroviral amplamente utilizado em terapias padrão;
* Lenacapavir — um inibidor de capsídeo mais recente, já aprovado para pacientes com HIV multirresistente e também estudado como profilaxia de longa duração.
Segundo a empresa, a proposta é oferecer uma alternativa personalizada para pessoas que enfrentam resistência a medicamentos, efeitos adversos, interações medicamentosas ou dificuldade de adesão a regimes com múltiplos comprimidos.
Resultados dos estudos clínicos
Os resultados vêm do programa de ensaios clínicos Artistry, que avaliou a eficácia do novo comprimido em diferentes perfis de pacientes com HIV já controlado.
O estudo incluiu 557 pessoas que utilizavam entre dois e 11 comprimidos por dia para manter o controle do vírus, muitas delas com histórico longo de tratamento ou resistência a medicamentos.
Após 48 semanas:
* 0,8% dos pacientes que migraram para o novo comprimido apresentaram vírus detectável;
* 1,1% dos que permaneceram em regimes complexos tiveram o mesmo resultado.
Na prática, cerca de 96% dos participantes mantiveram níveis baixos do vírus com a nova combinação, contra 93,5% com os tratamentos tradicionais.
Os pesquisadores observaram ainda:
* melhora nos níveis de lipídios em jejum;
* aumento na satisfação com o tratamento, medido por questionário específico;
* manutenção da supressão viral após 96 semanas de acompanhamento.
Os dados detalhados do estudo foram publicados na revista científica The Lancet. A população estudada tinha idade mediana de 60 anos e tempo médio de tratamento de 28 anos — um grupo que frequentemente enfrenta desafios relacionados ao envelhecimento com HIV e ao uso prolongado de terapias menos modernas.
O estudo Artistry-2 avaliou 574 pessoas com HIV e comparou diretamente o novo comprimido com um dos tratamentos mais utilizados atualmente.
Após 48 semanas:
* 1,3% dos pacientes que trocaram para a nova combinação apresentaram vírus detectável;
* 1% dos pacientes que permaneceram no tratamento padrão tiveram o mesmo resultado.
A eficácia semelhante reforça o potencial da nova terapia como alternativa aos esquemas atuais.
Segundo os investigadores, a comparação direta com um tratamento consolidado representou um teste rigoroso da nova estratégia terapêutica e sugere que o comprimido pode se tornar mais uma opção relevante para adultos com supressão viral.
Com resultados positivos nos estudos clínicos, a empresa já planeja solicitar aprovação regulatória para o novo comprimido. Caso autorizado, especialistas do mercado projetam lançamento até 2027.
Se confirmado em uso clínico amplo, o tratamento pode representar mais um avanço na evolução das terapias contra o HIV — especialmente ao oferecer regimes mais simples, com eficácia comparável e potencial melhoria na qualidade de vida de pacientes que convivem com a infecção por décadas.
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