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quinta-feira, 27 de março de 2025

Cabeleireira pede perdão após pichação em estátua no STF durante atos de 8 de janeiro

Foto: Reprodução/Gabriela Biló/Folhapress
A cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, de 39 anos, pediu perdão pelo ato de pichar a estátua “A Justiça”, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), durante os ataques de 8 de janeiro de 2023. Em depoimento prestado em novembro do ano passado, ela afirmou que agiu sob “o calor da situação” e que não estava em pleno domínio de suas faculdades mentais. Por G1 / Redes Sociais

O depoimento foi revelado nesta quarta-feira (26) após o ministro Alexandre de Moraes retirar o sigilo do processo. Nele, Débora diz que não invadiu nenhum prédio e que apenas participou da pichação a pedido de um homem que já havia iniciado a escrita da frase “perdeu, mané”, atribuída ao ministro Luís Roberto Barroso.

“Faltou talvez um pouco de malícia da minha parte. Ele começou a escrita e falou: ‘Eu tenho a letra muito feia, moça, você pode me ajudar a escrever?’. Eu me arrependo muito, jamais faria isso em sã consciência”, relatou.

Débora, que está presa desde março de 2023, afirmou que o episódio a traumatizou e que o tempo na prisão a fez perceber a importância de respeitar as hierarquias. “Isso não me representa, não é o que eu sou. Sempre segui a lei rigorosamente”, disse.

A cabeleireira relatou ainda que seus filhos, menores de idade, foram afetados emocionalmente: o mais novo ficou mais fechado, enquanto o mais velho se tornou agressivo e passou a sofrer bullying. Ambos recebem apoio psicológico.

Débora foi denunciada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em maio de 2024 por participação no ataque aos Poderes e incentivo à ruptura democrática. Apesar de a pichação ter se tornado um símbolo do ato, a PGR sustenta que a condenação se dá pela participação no contexto tumultuado, onde cada indivíduo teria buscado forçar um golpe de Estado.

O julgamento no STF começou na sexta-feira (21). O relator Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino votaram pela condenação a 14 anos de prisão. No entanto, o ministro Luiz Fux pediu vista na segunda-feira (24) para analisar melhor o caso e anunciou a intenção de revisar a pena.

“Debaixo da toga bate o coração de um homem, então é preciso que nós também tenhamos essa capacidade de refletir”, disse Fux.

Débora se tornou um símbolo para grupos bolsonaristas que defendem a anistia dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. O deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, criticou a condenação.

“Por causa de um batom, de uma frase repetida por um ministro, ela está sendo condenada a 14 anos. Acreditamos que podemos reverter isso na Justiça, porque parece ser um movimento político e não jurídico”, afirmou Zucco.

O caso continua pendente de uma decisão final, aguardando o voto de Luiz Fux após o pedido de vista.

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