"Na minha avaliação, o tráfico foi contratado e executou a minha mãe a mando de alguém", diz Jurandir
Foto: Conaq/Divulgação

“Não concordo com o que foi apresentado pela polícia. Na minha avaliação, o tráfico foi contratado e executou a minha mãe a mando de alguém. A execução dela foi terceirizada para os traficantes”, disse Jurandir em conversa com a Folha na noite desta quinta-feira (18).
No inquérito, a Polícia Civil da Bahia concluiu que o assassinato de Mãe Bernadete teria sido motivado pelo enfrentamento a interesses de uma facção do tráfico de drogas e teria sido insuflado por um morador da comunidade quilombola Pitanga dos Palmares envolvido com extração ilegal de madeira.
Jurandir afirmou que os conflitos de Mãe Bernadete com os traficantes e pessoas ligadas a eles eram pontuais e diz não acreditar que esta seria a motivação do crime: “Houve o atrito no dia da [exploração ilegal] de madeira e a questão da barraca. Mas os traficantes sempre estiveram lá. Nunca tiveram problema com minha mãe, que sequer tinha contato com eles.” Questionado sobre quem seria o possível mandante do crime, Jurandir Pacífico afirmou que cabe à Polícia Civil investigar.
O Ministério Público da Bahia ofereceu denúncia contra cinco pessoas supostamente envolvidas no crime. Elas são acusadas de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, com uso de arma de fogo e sem chance de defesa da vítima.
A líder quilombola também lutava contra a instalação de um bar chamado Pitanga Point City, que estava sendo erguido por traficantes para a realização de festas. A barraca foi erguida nas margens de uma represa em uma área de preservação permanente. Após a discussão com Mãe Bernadete, Sérgio Ferreira enviou áudios aos líderes do tráfico dizendo que a líder quilombola teria acionado a polícia para impedir instalação do bar dentro da área de preservação.
O advogado David Mendez afirma que a defesa da família deve mover uma ação indenizatória contra o estado da Bahia e a União contra o que chamou de “falhas grotescas” do programa de proteção a defensores de direitos humanos ao qual a líder quilombola estava submetida.
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