Para ele, o saudável seria que o mercado de crédito fosse mais diverso, com um tipo de crédito para cada objetivo.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

“Estamos tentando achar uma solução para que consigamos equilibrar as coisas, para que as pessoas continuem comprando no parcelado sem juros, para que a gente não tenha uma bola de neve no efeito do rotativo”, disse Campos Neto em evento do jornal O Estado de S. Paulo em parceria com a B3, nesta segunda-feira (23).
Na segunda passada (16), o BC se reuniu com representantes de bancos, adquirentes, cartões e varejo para discutir a regra da lei do Desenrola, que limita a dívida do rotativo a 100% do valor original caso o próprio setor não chegue a outra fórmula para reduzir as altas taxas. Atualmente, os juros dessa modalidade estão em 445,7% ao ano.
Para Campos Neto, “a regra de que a dívida não pode dobrar não abaixa os juros, o seu efeito seria marginal”. O texto da lei aprovada não cita compras parceladas nem parcelamento sem juros, mas bancos têm defendido que reduzir o número de parcelas sem juros ajudaria a baixar a taxa do rotativo, porque reduziria a inadimplência. Não há contudo estudos públicos independentes que mostrem essa relação de causa e efeito.
Nesta segunda, Campos Neto afirmou que houve crescimento no Brasil tanto do parcelamento sem juros no cartão de crédito (hoje equivalente a 15% do crédito) quanto da taxa de juros do rotativo e da inadimplência. “Talvez não fazer nada não seja uma solução.”
“Para ter solução estrutural, várias peças precisam estar dispostas a ceder um pouco. Esse tipo de autorregulação é superdifícil porque são vários setores que pensam diferente”, disse o presidente do BC.
Para ele, o saudável seria que o mercado de crédito fosse mais diverso, com um tipo de crédito para cada objetivo. “O CDC [Crédito Direto ao Consumidor], que é o crédito natural do consumidor, cresce pouco, talvez porque o parcelado sem juros cresceu demais”.
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