Ela foi abandonada pela família ainda muito nova e viveu boa parte da vida na rua, sem frequentar escola e sem conseguir um trabalho fixo. Já começou a enfrentar preconceito naquele tempo. Mas, forte, cresceu disposta a conquistar seu lugar num mundo regido pelo machismo, onde ser mulher e ainda mais pobre tornava as coisas ainda mais difíceis. "Hoje, digo com muito orgulho, que já fui menina de rua, vivi sofrimentos que não desejo para ninguém, mas tenho a vida que sempre imaginei. A cada dia alimento-me do aprendizado. Agora quero me aperfeiçoar na função de tratorista".
Com orgulho, ela lembra que superou o preconceito quando se tornou a primeira e única operária de máquina pesada na Sedur, após ter passado pela Emasa. Maria disse que sempre sonhou em operar máquinas pesadas. "Meu sonho começou a se tornar possível quando fui aprovada na seleção pública para trabalhar na Emasa". "Daí para a direção da retroescavadeira foi um pulo", revela.
"Amadureci tanto e essas lembranças me dão mais força para mostrar a mim mesma que conquistei o que queria. Digo com toda força que mulher é o sexo mais forte. Temos uma perseverança incrível. Todas nós podemos correr atrás de nossos sonhos. Na hora certa, tudo acontece. Sou a primeira tratorista de Itabuna, cidade que considero meu berço. Sou uma mulher feliz e realizada. Que minha história se torne um impulso para outras mulheres que desejam seguir essa carreira ou qualquer outra", diz uma corajosa e esperançosa Maria Ferreira dos Santos, tratorista, mulher.
Nenhum comentário:
Postar um comentário