Mau comportamento e notas baixas podem indicar que a criança precisa de óculos
São Paulo, março 2026 – Você sabia que nem sempre problemas de comportamento e desempenho ruim na escola estão relacionados com transtornos do neurodesenvolvimento? Na verdade, problemas na visão não tratados também podem prejudicar a vida escolar das crianças.
Segundo a Dra. Marcela Barreira, oftalmopediatra especialista em estrabismo, a visão tem um papel central no processamento das informações, especialmente na infância, quando o cérebro está em pleno desenvolvimento.
Estima-se que cerca de 70% a 80% das informações que chegam ao cérebro são mediadas pelo sistema visual. Isso significa que ler, escrever, reconhecer rostos, interpretar expressões faciais, perceber o espaço, aprender formas, cores, letras e números são atividades que dependem diretamente de uma boa qualidade visual integrada ao cérebro.
“Portanto, a visão é parte essencial da aprendizagem e do desenvolvimento da criança como um todo. Sendo assim, quando a criança tem um erro refrativo, como a miopia, pode apresentar muitas dificuldades na escola, especialmente na fase da alfabetização”, comenta a especialista.
Erros Refrativos são os principais problemas de visão na infância
Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), os erros refrativos não corrigidos, como a miopia, o astigmatismo e a hipermetropia, são as principais causas de deficiência visual entre as crianças brasileiras. A baixa acuidade visual afeta por volta de 5,5% das crianças em idade escolar. Em 80% dos casos, basta o uso de óculos para corrigir o problema.
Crianças não reclamam
As crianças podem reclamar de muita coisa: de sono, de fome, de não poder brincar mais ou de não ganhar um brinquedo novo. Contudo, os pequenos não costumam se queixar de problemas na visão. Na verdade, a criança costuma reportar os sinais indiretos, ou seja, as manifestações decorrentes de alguma alteração na visão.
“Elas podem se queixar de dor de cabeça, podem se machucar ou esbarrar em objetos com mais frequência, podem ter mais sensibilidade à luz, podem ter dificuldade de escrever, ler, desenhar, recortar, entre outras condições decorrentes de problemas visuais”, explica Dra. Marcela.
Vale lembrar que como a criança não tem referência do que é enxergar bem ou mal, o olhar atento dos educadores é essencial para alertar os pais sobre a necessidade de procurar um oftalmologista infantil.
Como os professores podem notar alterações visuais dos alunos