Por Anna Júlia Lopes | Folhapress
Foto: Lula Marques / Agência Brasil

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta quarta-feira (4) que irá analisar questão de ordem apresentada pelo senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) sobre a situação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que registrou presença e voto na sessão de terça (3) mesmo estando nos Estados Unidos.
Durante a sessão do plenário desta quarta, Alcolumbre disse ter recebido a questão levantada por Randolfe, mas que não conseguiria dar uma resposta definitiva sobre o caso ainda.
"Nós vamos analisar a solicitação feita por vossa excelência. Eu vou convocar os nossos assessores para a gente ver, do ponto de vista do regimento do Senado e do Congresso Nacional, qual o encaminhamento que nós poderemos dar em relação à questão de ordem que vossa excelência traz ao reconhecimento da Mesa [Diretora]", declarou.
Líder do governo no Congresso, Randolfe apresentou duas questões de ordem referentes à ausência de Flávio. Em uma delas, o parlamentar pede para que a Presidência esclareça se o senador comunicou oficialmente sua viagem ao exterior, conforme é determinado pelo regimento interno da Casa.
Na outra, Randolfe pede a anulação do voto de Flávio na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, aprovada pelo plenário do Senado na terça.
Flávio fugiu do Brasil rumo aos Estados Unidos na semana passada, depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais e de não ter entregue seus passaportes à Polícia Federal, conforme determinação do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
No domingo (25), a polícia havia alertado o Supremo para um risco concreto de fuga do senador, após o resultado das eleições. Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF.
Ainda na noite da derrota, Flávio disse que não aceitaria o resultado das eleições e que pediria a anulação do pleito. No dia seguinte, o senador manteve discurso de suspeita sobre o resultado, mas afirmou que atuaria como líder da oposição. Também negou que pretendia sair do país.
Já nos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta se autoproclamando "líder do Brasil" e falando em fraude eleitoral -narrativa defendida apenas por alguns de seus aliados mais radicais.
Durante a sessão desta quarta-feira, também a temática da contestação ao resultado das eleições e de críticas às urnas eletrônicas foi abordada por Alcolumbre.
"No primeiro turno, a urna eletrônica prestou (...). Ela serviu para comemorar uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula, que ganhou mais de 2 milhões de votos no primeiro turno e, quando abriu no segundo turno, não prestou mais. O resultado só valeu para o primeiro turno", disse o presidente do Senado.
No primeiro turno, Flávio terminou à frente de Lula, mas uma virada histórica levou à reeleição do petista.
Alcolumbre afirmou ainda que, durante o primeiro turno, o PL também elegeu as maiores bancadas tanto na Câmara quanto no Senado.
O chefe da Casa disse ainda que muitos desses candidatos foram eleitos com discursos "ofedendendo e agredindo as pessoas" e com agendas específicas de ataques ao Judiciário, ao Executivo ou ao próprio presidente do Senado.
"Para a minha tristeza e de milhões de pessoas, [candidatos] ganharam as eleições com base em alguma agenda específica, fosse ela contra o Judiciário, fosse ela contra o Executivo, fosse ela contra o presidente do Senado Federal, porque dava voto na eleição de um parlamentar ofender o presidente do Senado que não abre impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal", acrescentou o congressista.
Durante a sua gestão, Alcolumbre tem sofrido críticas por parte de políticos bolsonaristas por não pautar os pedidos de impeachment de ministros do STF. Por esse motivo, muitos dos candidatos ao Senado aliados ao clã Bolsonaro utilizaram, durante a campanha, o discurso de que queriam formar maioria na Casa para pressionar o presidente a pautar os pedidos.
Além disso, há também a intenção de usar o peso da bancada bolsonarista para eleger um novo presidente do Senado. Nesta quarta, o PL lançou o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN) para a disputa.
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