Município contabilizou 74 infecções nos dois meses, com maior concentração de diagnósticos em setembro
Naiara Ribeiro-sbt
Mpox: Além dos casos confirmados, o país contabiliza 539 casos suspeitos | Reprodução / Ministério da Saúde

A cidade do Rio de Janeiro registrou um aumento nos casos de Mpox entre setembro e outubro deste ano. Foram 74 infecções confirmadas nos dois meses, contra dez no mesmo período de 2025, segundo dados do Observatório Epidemiológico do município. Setembro teve o maior número de registros, com 45 casos, seguido de outubro, com 29.
O levantamento mostra que setembro também teve o maior número mensal de casos desde o início de 2025. Antes disso, março e abril de 2026 haviam registrado 19 infecções cada. Os números caíram nos meses seguintes, mas voltaram a subir em agosto, com 13 casos, até chegar aos 45 de setembro.
Evolução mensal dos casos de Mpox no Rio de Janeiro entre janeiro de 2025 e outubro de 2026 | Reprodução Observatório Epidemiológico do Rio de Janeiro
A Mpox é uma doença infecciosa transmitida principalmente pelo contato próximo com pessoas infectadas. Os sintomas incluem febre, dores no corpo, ínguas e lesões na pele. Na maioria dos casos, a recuperação ocorre em algumas semanas, mas a doença pode causar complicações, especialmente em crianças, gestantes e pessoas com a imunidade comprometida.
Como a Mpox é transmitida?
A doença é causada pelo vírus MPXV, do gênero Orthopoxvirus. Embora também possa ser transmitida de animais para seres humanos, atualmente a principal forma de contágio ocorre entre pessoas.
Segundo o Ministério da Saúde, a transmissão acontece pelo contato direto com lesões na pele, fluidos corporais, como sangue e pus das feridas, e secreções respiratórias em situações de contato próximo e prolongado.
O vírus também pode ser transmitido por objetos contaminados, como roupas, toalhas e lençóis.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam aparecer entre três e 16 dias após o contato com o vírus, mas esse intervalo pode chegar a 21 dias. As lesões na pele geralmente surgem alguns dias depois da febre, embora também possam ser o primeiro sinal da infecção.
Entre os sintomas mais comuns estão:
Lesões ou erupções na pele;
Febre;
Ínguas (gânglios linfáticos inchados);
Dor de cabeça;
Dores no corpo;
Calafrios;
Fraqueza.
As lesões podem começar como manchas avermelhadas e evoluir para pequenas elevações, bolhas e feridas com pus. Com o passar dos dias, formam-se crostas, que se desprendem conforme a pele cicatriza.
Como outras doenças, entre elas herpes, sífilis e sarampo, podem apresentar sintomas semelhantes, a confirmação da Mpox depende de exames laboratoriais. O diagnóstico é feito principalmente pelo teste de PCR, a partir de amostras coletadas das lesões.
A pessoa infectada pode transmitir o vírus desde o início dos sintomas até que todas as feridas estejam completamente cicatrizadas.
Quem corre mais risco?
Alguns grupos têm maior risco de desenvolver formas graves da Mpox ou de entrar em contato com o vírus. Entre eles estão:
Crianças, que podem apresentar complicações e precisam de acompanhamento até a recuperação;
Gestantes, que podem transmitir o vírus ao bebê durante a gravidez ou no nascimento;
Pessoas com o sistema imunológico comprometido, que têm maior risco de desenvolver formas graves da doença;
Profissionais de saúde, que estão mais expostos ao vírus devido ao contato com pacientes infectados.
A transmissão para o recém-nascido também pode ocorrer pelo contato físico próximo após o parto. Ainda não se sabe se o vírus pode ser transmitido pelo leite materno. Por isso, mulheres diagnosticadas com Mpox durante a amamentação precisam de avaliação médica para definir os cuidados necessários.
Não há um medicamento específico amplamente disponível para tratar a Mpox. O atendimento médico é voltado ao alívio dos sintomas, aos cuidados com as lesões e à prevenção de complicações.
Na maioria dos casos, a doença apresenta evolução leve a moderada, com recuperação entre duas e quatro semanas.
Pessoas com sintomas suspeitos devem procurar uma unidade de saúde e evitar contato físico próximo com outras pessoas até receberem orientação médica.
Quem pode tomar a vacina contra a Mpox?
A vacinação é destinada a grupos com maior risco de desenvolver formas graves da doença ou de exposição ao vírus, conforme as orientações do Ministério da Saúde.
Podem receber a vacina:
Pessoas vivendo com HIV/Aids, com o sistema imunológico comprometido e contagem de CD4 inferior a 200 células nos últimos seis meses, especialmente homens cisgêneros, travestis e mulheres transexuais com 18 anos ou mais;
Profissionais de laboratório que trabalham diretamente com vírus do gênero *Orthopoxvirus*;
Pessoas que tiveram contato de médio ou alto risco com casos suspeitos ou confirmados de Mpox, após avaliação das equipes de vigilância em saúde.
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