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sábado, 17 de outubro de 2026

“A sífilis é a doença que mais engana”: Por que diagnóstico e tratamento ainda não chegam a todos

No Outubro Verde, Dr. Mauro Romero Leal Passos discute os obstáculos que atrasam o diagnóstico, o estigma nos consultórios e as oportunidades perdidas de tratamento no SUS e na rede privada
Uma ferida que não dói e desaparece sozinha pode parecer um problema resolvido. No caso da sífilis, porém, o desaparecimento dos sinais não significa cura. A infecção pode permanecer no organismo sem sintomas, enquanto a pessoa segue sem saber que precisa de tratamento. Neste sábado, 17 de outubro, o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita reforça a importância de tornar a testagem parte do cuidado com a saúde — antes que apareçam complicações.

Às vezes, porém, o exame é feito e a resposta está ali, sem que ninguém a reconheça. O Dr. Mauro Romero Leal Passos, ginecologista e dessetologista, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), conta que recebeu uma paciente da rede privada com manchas na pele que vinham sendo tratadas como outros problemas. Ela havia passado por consultas e acumulava quase dois meses de lesões. Um resultado reagente para sífilis já constava de seus exames.

Segundo Dr. Mauro Romero Leal Passos, que também é professor titular do Setor de Doenças Sexualmente Transmissíveis da Universidade Federal Fluminense (UFF), quem a atendera havia confundido o resultado com o valor de referência do laboratório. A expressão “não reagente” indicava o parâmetro esperado, mas foi lida como se descrevesse a situação da paciente. A investigação tinha chegado à resposta; o tratamento, não. “Pensar sifiliticamente é importante para fazer o diagnóstico e propor o tratamento”, afirma o professor.

A expressão atravessa a entrevista. Significa lembrar da sífilis diante de uma ferida discreta, de uma mancha que parece alergia, de uma alteração que não melhora com o tratamento prescrito. Significa também reconhecer que renda, escolaridade, idade ou acesso à medicina privada não afastam a possibilidade de uma infecção sexualmente transmissível. Para o médico, parte das oportunidades de diagnóstico se perde justamente quando o profissional acredita que aquela hipótese não combina com a pessoa à sua frente.

A cura existe. O acesso ainda é desigual
No Brasil, o tamanho do desafio está documentado. O Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, do Ministério da Saúde, registrou, para 2024, 256.830 casos de sífilis adquirida, 89.724 em gestantes e 24.443 de sífilis congênita. Naquele ano, foram registrados 183 óbitos por sífilis congênita em menores de um ano. Mais na agenciaaids

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