No Outubro Verde, Dr. Mauro Romero Leal Passos discute os obstáculos que atrasam o diagnóstico, o estigma nos consultórios e as oportunidades perdidas de tratamento no SUS e na rede privada

Às vezes, porém, o exame é feito e a resposta está ali, sem que ninguém a reconheça. O Dr. Mauro Romero Leal Passos, ginecologista e dessetologista, fundador e presidente da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis (SBDST), conta que recebeu uma paciente da rede privada com manchas na pele que vinham sendo tratadas como outros problemas. Ela havia passado por consultas e acumulava quase dois meses de lesões. Um resultado reagente para sífilis já constava de seus exames.

A expressão atravessa a entrevista. Significa lembrar da sífilis diante de uma ferida discreta, de uma mancha que parece alergia, de uma alteração que não melhora com o tratamento prescrito. Significa também reconhecer que renda, escolaridade, idade ou acesso à medicina privada não afastam a possibilidade de uma infecção sexualmente transmissível. Para o médico, parte das oportunidades de diagnóstico se perde justamente quando o profissional acredita que aquela hipótese não combina com a pessoa à sua frente.
A cura existe. O acesso ainda é desigual
No Brasil, o tamanho do desafio está documentado. O Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, do Ministério da Saúde, registrou, para 2024, 256.830 casos de sífilis adquirida, 89.724 em gestantes e 24.443 de sífilis congênita. Naquele ano, foram registrados 183 óbitos por sífilis congênita em menores de um ano. Mais na agenciaaids
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