A circulação de notícias falsas e conteúdos fora de contexto pode influenciar a forma como os eleitores compreendem as eleições
Por Bruna Castelo Branco / AratuOn
Foto: Ilustrativa/Pexels

Por isso, antes de compartilhar uma publicação, é importante conferir quem produziu o conteúdo, quando ele foi divulgado e se os fatos apresentados foram confirmados por fontes confiáveis.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mantém a plataforma Fato ou Boato, que reúne checagens sobre informações relacionadas à Justiça Eleitoral e ao processo de votação. A iniciativa conta com a participação de agências especializadas em verificação de informações e disponibiliza esclarecimentos sobre conteúdos que circulam na internet.
Como identificar notícias falsas sobre as eleições?
1. Confira quem publicou a informação
Observe o nome do site, o perfil responsável pela publicação e a identificação do autor. Perfis que imitam veículos jornalísticos, órgãos públicos ou instituições eleitorais podem utilizar nomes, fotografias e logotipos semelhantes aos originais para transmitir credibilidade.
Também vale conferir se o perfil é oficial e se o endereço eletrônico corresponde ao site verdadeiro da instituição.
2. Leia a notícia completa, não apenas o título
Títulos alarmistas ou frases que prometem revelações podem chamar a atenção, mas nem sempre representam o conteúdo da reportagem.
Antes de tirar conclusões, leia o texto integralmente e verifique se as informações apresentadas no título estão sustentadas pelos dados e pelas fontes citadas.
3. Confira a data e o contexto
Uma informação verdadeira pode se tornar enganosa quando é divulgada fora de contexto. Vídeos antigos, declarações de outras eleições e notícias sobre acontecimentos passados podem voltar a circular como se fossem atuais.
Confira a data da publicação original e procure a íntegra de entrevistas, discursos ou documentos mencionados no conteúdo.
4. Desconfie de mensagens que pedem compartilhamento imediato
Publicações que utilizam expressões como “compartilhe antes que apaguem”, “a imprensa não quer mostrar” ou “repasse para todos os seus contatos” merecem atenção redobrada.
A urgência e o apelo emocional não comprovam que uma informação seja falsa, mas são motivos para interromper o compartilhamento e verificar a procedência do conteúdo.
5. Procure a informação em outras fontes
Pesquise palavras-chave da mensagem em buscadores e consulte veículos jornalísticos reconhecidos, agências de checagem e páginas oficiais.
Quando a publicação atribuir uma decisão, declaração ou comunicado ao TSE, por exemplo, verifique se a informação aparece nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
A ausência de uma notícia em outros veículos não prova, isoladamente, que ela seja falsa. O importante é investigar a origem e buscar evidências que sustentem a alegação.
Imagens antigas podem ser apresentadas como registros recentes, enquanto vídeos e áudios podem ser editados para alterar o sentido de uma declaração.
Uma das possibilidades é fazer uma busca reversa pela imagem, utilizando ferramentas que procuram versões anteriores do mesmo arquivo na internet. Em vídeos, vale procurar a gravação completa e comparar o trecho compartilhado com a versão original.
Também é necessário ter cuidado com conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial (IA), como vídeos que simulam falas de candidatos e áudios que imitam a voz de figuras públicas. A aparência realista de um conteúdo não comprova sua autenticidade.
7. Procure documentos e dados originais
Quando uma publicação apresentar números de pesquisas eleitorais, resultados de votação ou estatísticas sobre o eleitorado, procure o levantamento ou documento original.
Confira a instituição responsável, a data, a metodologia, o universo pesquisado e o contexto dos números. No caso de resultados eleitorais, consulte o sistema oficial de divulgação do TSE.
Capturas de tela isoladas, gráficos sem indicação de fonte e documentos sem procedência identificada não são suficientes para confirmar uma informação.
8. Não confunda opinião com informação comprovada
Publicações de candidatos, partidos, apoiadores e críticos podem apresentar interpretações diferentes sobre o mesmo acontecimento. Uma opinião política, por si só, não é uma notícia falsa.
A checagem deve se concentrar nas afirmações que podem ser verificadas, como a existência de uma declaração, o conteúdo de um documento ou a divulgação de determinado resultado. É importante distinguir fatos comprovados, interpretações e alegações ainda não confirmadas.
Onde consultar informações confiáveis sobre as eleições?
O eleitor pode recorrer a páginas oficiais e agências especializadas para verificar conteúdos suspeitos.
Fato ou Boato, do TSE: reúne checagens e esclarecimentos sobre a Justiça Eleitoral, as urnas eletrônicas e o processo de votação. Acesse: https://www.justicaeleitoral.jus.br/fato-ou-boato/
Tribunal Superior Eleitoral (TSE): publica informações oficiais sobre o calendário eleitoral, regras de votação, candidaturas e resultados. Acesse: https://www.tse.jus.br/
Como denunciar conteúdos falsos sobre o processo eleitoral?
Quem encontrar informações falsas ou enganosas que possam comprometer a integridade das eleições pode comunicar o caso à Justiça Eleitoral por meio do Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade), do TSE.
O canal recebe alertas sobre conteúdos relacionados, por exemplo, a alegações de fraude na votação, ataques à integridade do sistema eleitoral, perfis falsos que se passam pela Justiça Eleitoral e informações incorretas que possam impedir ou desestimular o exercício do voto.
Os alertas são analisados e, conforme o caso, encaminhados às plataformas digitais ou aos órgãos competentes. O sistema não substitui os canais destinados a denúncias de propaganda eleitoral irregular, que possuem procedimentos próprios.
O acesso está disponível aqui.
O que fazer antes de compartilhar uma notícia?
Antes de encaminhar uma mensagem sobre as eleições, vale fazer uma última verificação: a informação tem autoria identificada? A data está correta? Existe uma fonte original? O conteúdo foi confirmado por outras fontes confiáveis?
Se ainda houver dúvidas, não compartilhe a publicação. Procure uma checagem já publicada ou aguarde a confirmação dos fatos.
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