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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Lula sobre STF: Ninguém pode usar cargo em benefício pessoal

Em evento no Planalto, presidente afirma que "está nas costas" de Fachin e Gonet transmitir "tranquilidade" à sociedade e "não esconder absolutamente nada"
Felipe Moraes-sbt
Presidente Lula (PT) faz discurso durante sanção de projetos no Planalto | Reprodução/YouTube
O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta-feira (4) que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal". Falas ocorreram meio à crise que envolve o Banco Master, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Em evento no Palácio do Planalto com presença de Fachin e Gonet, o petista disse que os chefes do STF e da PGR precisam dar uma resposta à população e pediu que não escondam "absolutamente nada" da opinião pública.

Sem citar diretamente a instituição do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os magistrados, o petista afirmou que "a Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão com muita expectativa da sociedade".

"Quando os filhos, dentro de casa, estão em desordem, quem manda na casa é quem resolve. Então, meu caro [Fachin], tá nas tuas costas e do Gonet passar um mínimo de tranquilidade [pra sociedade], sem tentar esconder absolutamente nada", afirmou, em evento no Palácio do Planalto.

Reveladas em relatório da Polícia Federal (PF) tornado público por Mendonça, as conversas de Vorcaro envolvendo Moraes também trazem uma série de citações a Gonet. O PGR já pediu nulidade do material justificando que não houve pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF para as diligências.

Lula voltou a dizer ter certeza de que "no próximo ano, faremos uma discussão profunda da necessidade de uma nova reforma no Poder Judiciário, para que o povo possa continuar acreditando na Justiça".

O presidente admitiu preocupação com a crise no Supremo e reforçou que tenta "fazer um esforço sobrenatural para que a sociedade brasileira não perca esperança, fé e credibilidade nas instituições responsáveis de garantir o funcionamento do sistema democrático e do Estado brasileiro".

"Se não tiver instituições sólidas e funcionando, a democracia estará muito vulnerável. Por isso, algumas pessoas tentam enfraquecer, desmoralizar", acrescentou. Novamente sem mencionar nomes, declarou que "ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal".

"Isso vale pro presidente, pra um catador de material reciclável, pra uma parteira e pra uma médica. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos", falou.

O petista ainda fez uma alusão aos vazamentos do caso Lulinha, em que o filho Fábio Luís Lula da Silva é investigado no âmbito da apuração sobre fraudes no INSS.

"O que nós não podemos nesse país é oficializar a indústria da fake news, dos vazamentos seletivos por interesse político ou econômico. Não é possível. Se a gente não der uma parada nisso, vai perder credibilidade que queremos que a sociedade tenha na Justiça", criticou.

Lula comemorou a sanção de três projetos relacionados a fundos voltados à Justiça, tema da cerimônia de hoje com autoridades no Planalto, e disse que vai "ficar muito mais satisfeito quando a gente tiver, nesse país, vivendo num clima de paz e tranquilidade".

"Porque nós estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, a fake news, os vazamentos não contribuem pra democracia. Portanto, boa sorte ao Brasil e boa sorte a todos nós", concluiu.

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