Presidente do Senado teria indicado a colegas que, caso fosse pressionado a abrir processo contra Alexandre de Moraes, também poderia autorizar o avanço de um pedido contra André Mendonça
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria sinalizado a colegas no Congresso Nacional que uma eventual pressão considerada insustentável para dar início ao processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia resultar também na autorização de um procedimento contra outro integrante da Corte, André Mendonça.
A possibilidade de um chamado “impeachment cruzado” teria contribuído para reduzir a tensão no Senado nos últimos dias.
O cenário ganhou novos contornos após Alexandre de Moraes encaminhar, na noite de quinta-feira (3), um pedido ao presidente do STF, Edson Fachin, para a investigação de Mendonça.
Na decisão, tomada no âmbito do inquérito das fake news, Moraes apontou indícios de crime de responsabilidade na atuação de Mendonça e mencionou ainda informações relacionadas ao próprio Alcolumbre.
Esses elementos foram interpretados nos bastidores como um fator que poderia abrir espaço para uma atuação do presidente do Senado em relação aos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. As informações são da jornalista Ana Flor, da Globo News.
Fachin assume condução dos casos
Nesta sexta-feira (4), porém, Fachin determinou a retirada do pedido apresentado por Moraes do âmbito do inquérito das fake news. O presidente do STF deu prazo de até cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e André Mendonça se manifestem sobre o pedido e determinou que o procedimento fique concentrado na Presidência da Corte. Com a decisão, os casos envolvendo Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos por Fachin.
Relatório da PF expôs conversas
Na terça-feira (1º), André Mendonça retirou o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal por determinação de seu gabinete. O documento revelou mensagens e contatos entre Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
No pedido encaminhado a Fachin, Moraes acusou Mendonça de ter usurpado atribuições das autoridades policiais na condução das investigações, realizado irregularmente tratativas sobre uma possível delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos”, apurações contra determinados alvos.
Moraes também mencionou informações que envolvem seu próprio nome e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
O ministro citou dispositivos da Constituição Federal e do Regimento Interno do STF que estabelecem a competência de órgãos colegiados para analisar eventuais crimes comuns atribuídos a magistrados.
Segundo Moraes, o relatório da Polícia Federal aponta medidas adotadas por Mendonça com “flagrante perda de imparcialidade”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário