Apontado em relatório da PF como interlocutor de interesses do banco no governo, ex-líder no Senado diz que provará sua inocência
Vicklin Moraes / SBT
Senador Jaques Wagner (PT-BA) | Valter Campanato/Agência Brasil

O senador e ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta sexta-feira (31) que está confiante de que provará sua inocência no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal que relacionam seu nome ao Banco Master.
A declaração ocorre após a divulgação de relatório da PF no contexto da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, o banqueiro Daniel Vorcaro considerava ter três principais aliados dentro do governo federal: o próprio Jaques Wagner; o ministro da Casa Civil, Rui Costa; e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
De acordo com a investigação, Wagner teria atuado como interlocutor de interesses da instituição financeira junto ao governo. Trocas de mensagens indicam que o senador teria sido encarregado de dialogar com a então ministra da Cultura, Margareth Menezes, sobre o Instituto Terra Firme, fundado por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
O relatório também aponta que Wagner intermediou o contato de Lima com o advogado-geral da União, Jorge Messias, além de atuar no campo legislativo com a apresentação e defesa de ao menos seis propostas no Senado que seriam de interesse de instituições financeiras privadas. A Polícia Federal identificou ainda 74 ligações telefônicas concluídas entre o senador e Augusto Lima, somando mais de cinco horas e meia de conversas.
"Estou tranquilo", afirma o senador
Em nota, Jaques Wagner reiterou estar "tranquilo" quanto aos desdobramentos da investigação e afirmou que seu foco principal está voltado para as eleições de outubro.
"O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição, temos dois meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula", disse o parlamentar.
Wagner comparou o cenário atual a um episódio vivenciado em 2018, também em ano eleitoral, quando foi investigado por supostas irregularidades nas obras da Arena Fonte Nova. "Na época, abriram o inquérito, fizeram aquele barulho e, depois, eu não fui nem indiciado. O processo foi arquivado, mas é óbvio que fica o prejuízo político", lembrou.
O senador citou uma recente declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ressaltando que as investigações servem tanto para confirmar quanto para afastar hipóteses investigativas, e defendeu a autonomia das instituições.
"A Polícia Federal que faça o seu trabalho: investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado julgue. Como diz o presidente Lula: 'Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo'. Eu sei o que fiz e estou tranquilo", finalizou.
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