Pesquisadora da bactéria esclarece dúvidas sobre riscos para a saúde
Anvisa determina recolhimento de produtos da Ypê por risco de contaminação | Divulgação/Ypê
Gabriela Belchior

A orientação da Anvisa é que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos afetados. Mas quais são os riscos para a saúde com quem teve contato com os produtos?
A medida afeta todos os lotes com numeração final 1. Além do recolhimento, a agência determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso dos produtos afetados.
Para esclarecer as principais dúvidas, o SBT News entrevistou a bióloga e pesquisadora no Instituto de Química da USP, Ana Laura Boechat, que participa de um grupo de pesquisa em Biologia Molecular e Genética da bactéria Pseudomonas aeruginosa no Brasil, bactéria encontrada nos produtos Ypê de do lote final 1.
Bactéria Pseudomonas aeruginosa
Segundo a pesquisadora, a Pseudomonas aeruginosa é comum na natureza, presente em ambientes úmidos como água, solo e plantas. No entanto, ela pode causar infecções em humanos, especialmente em indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
A presença da bactéria em produtos de limpeza, que deveriam eliminá-la, causa estranheza. Ana Laura explica que a Pseudomonas é muito adaptável, capaz de sobreviver em ambientes com poucos nutrientes e sob condições químicas adversas, além de ser multirresistente a antibióticos.
“A reincidência da contaminação indica falhas no processo de fabricação. É sempre preocupante qualquer contaminação, especialmente em locais onde não deveria haver microrganismos.”
A bióloga explica ainda que, existe um processo que facilita o crescimento da bactéria
“A Pseudomonas aeruginosa pode produzir um tipo de detergente, chamado ramnolipídeo, que a torna capaz de degradar óleos e até outros detergentes, podendo usá-los como nutrientes. Isso também é um facilitador do crescimento dessa bactéria em produtos de limpeza, como os que foram afetados”.
Quais os riscos?
A pesquisadora explica que, para pessoas saudáveis, o risco é baixo. A bactéria é considerada um microrganismo de atenção pela OMS desde 2017, devido à sua resistência a muitos antibióticos. Por isso, exige cuidados em laboratório, mas a probabilidade de adoecer é baixa. Já para os imunossuprimidos, como pacientes transplantados, em quimioterapia, com queimaduras graves ou hospitalizados por longo tempo, o risco é maior, pois a bactéria é oportunista. Mais no sbtnews
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