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segunda-feira, 16 de março de 2026

Ciro Nogueira repete estratégia de "renúncia condicionada" e vincula mandato ao caso Banco Master

Por Sebastian Eugênio
Foto: Reprodução
Em um movimento de autodefesa e contra-ataque político, o senador e presidente nacional do Progressistas, Ciro Nogueira (PI), declarou nesta segunda-feira (16) ao Portal GP1 que renunciará ao seu mandato caso seja comprovado qualquer vínculo ilícito entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. Via 180graus

O dono do Banco Master foi preso na última semana por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ao adotar o tom de "tudo ou nada", Nogueira tenta estancar o potencial de desgaste de uma nova sombra judicial sobre sua imagem, recorrendo a um roteiro retórico que já utilizou em momentos críticos da Operação Lava Jato.

A retórica do "CPF distinto"
Durante o pronunciamento, Ciro Nogueira buscou traçar uma linha nítida entre suas relações institucionais como líder político e sua responsabilidade individual. O senador não negou o convívio com grandes nomes do empresariado, mas enfatizou a separação de condutas.

"Conheço todos os grandes empresários deste país. Sou convidado para palestras, jantares, para encontros. Agora, o CPF dele é um, o meu é outro", afirmou o parlamentar. "Se algum dia surgir alguma denúncia que seja comprovada, eu renuncio ao meu mandato."

Ciro consegue ser tão distinto que chega a ser diferente dele mesmo. Como destacou o Portal UOL, o senador mantém dois perfis no Instagram, um estadual e outro nacional.

A fala ocorre em um momento de sensibilidade para o "Centrão", bloco que Nogueira lidera com mão de ferro. A prisão de Vorcaro, um ator influente nos círculos financeiros de Brasília, acendeu alertas no Congresso, e a pronta reação do senador visa antecipar-se a eventuais vazamentos ou ilações que possam surgir no curso das investigações conduzidas pelo STF.

O histórico das promessas de renúncia
O discurso de Nogueira carrega um forte senso de déjà vu. Esta é a terceira vez em pouco mais de uma década que o político piauiense vincula a permanência no cargo à ausência de provas contra si.

Setembro de 2014: No auge da Operação Lava Jato, Ciro enviou uma carta ao então juiz Sergio Moro. Na época, prometeu renunciar se ficasse provado vínculo com Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, ou irregularidades na estatal.

Ciclo 2015-2018: Diante de denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro — baseadas em delações da Odebrecht —, o senador manteve a aposta na própria inocência como condição de permanência.

Em todas as ocasiões anteriores, o desfecho jurídico favoreceu o parlamentar. Em 2018, a Segunda Turma do STF rejeitou denúncias contra ele por 3 votos a 1, alegando que delações premiadas, sem provas de corroboração, não eram suficientes para abrir ação penal. Entre 2021 e 2023, o senador viu o arquivamento do inquérito do "Quadrilhão do PP" e de casos relacionados à Odebrecht, o que consolidou sua sobrevivência política e permitiu sua ascensão ao cargo de ministro da Casa Civil no governo anterior.

É justo, é veríssimo.
A nova aposta de Ciro Nogueira não é apenas jurídica, mas eleitoral. Atualmente, o senador pavimenta o caminho para a disputa de seu terceiro mandato consecutivo no Senado Federal. Em Brasília, a análise é que ele utiliza a "promessa de renúncia" como um certificado de confiança perante sua base eleitoral e o mercado financeiro.

Ao colocar o mandato em jogo, Nogueira sinaliza aos aliados que não teme o conteúdo das investigações de André Mendonça. Contudo, ao contrário de 2014, o cenário político atual é de maior fragmentação e vigilância sobre as relações entre o poder público e o sistema financeiro.

O desfecho do caso Banco Master e o rigor das provas que podem (ou não) surgir determinarão se a promessa de Ciro Nogueira continuará sendo um escudo eficaz ou se, desta vez, o custo político da aposta será mais elevado.

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