Foto: Reprodução / Agência Brasil

Pago durante o ano passado a trabalhadores informais afetados pela pandemia, o auxílio emergencial foi suspenso em dezembro. Entretanto, com a manutenção dos efeitos da pandemia sobre a economia e lentidão da vacinação contra a Covid-19 no país, o governo já discute a retomada do benefício, segundo o G1.
Segundo cálculos do coordenador da Cátedra Ruth Cardoso no Insper, Naercio Menezes Filho, o fim do auxílio emergencial já levou 2 milhões de brasileiros para a pobreza apenas em janeiro.
Na segunda-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro disse estar "negociando" o tema com ministros, e o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, afirmou ver "expectativa positiva" de um anúncio ainda nesta semana.
Já o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou, na semana passada, que o auxílio emergencial pode voltar a ser pago para cerca de 32 milhões de pessoas, metade dos beneficiários de 2020.
Os gastos com a pandemia levaram a um aumento de 17,9% na dívida pública federal no ano passado, o maior da série histórica, e o total da dívida chegou a R$ 5,009 trilhões. O pagamento de novas parcelas do auxílio, se confirmadas, deve fazer com esse montante cresça ainda mais em 2021 e gerar dúvidas entre investidores sobre a capacidade do governo de honrar seus pagamentos.
"Se fizer mais um pacote fiscal sem nenhuma contraparte, a mensagem que será passada é que a trajetória da dívida vai continuar a subir e o prêmio de risco que os investidores vão pedir para manter a dívida brasileira pode ter um efeito, uma implicação de qual tipo de política que o Banco Central pode adotar", disse ele, durante videoconferência direcionada a investidores internacionais.
Campos Neto lembrou que a missão do BC é controlar a inflação, e que o aumento de gastos públicos, sem compensação, tem um impacto de como o prêmio de risco dos juros futuros e, também, na expectativa futura de inflação - que a instituição olha para definir o patamar do juro básico.
"Sem nenhuma contrapartida, há um risco de adotar uma medida para estimular a economia e ter um efeito negativo. Porque estamos em um ponto de inflexão no qual o que mercado está nos dizendo é que: se só gastarmos mais, a reação das variáveis à fragilidade na situação fiscal vai superar o benefício de colocar mais recursos na economia", disse ele.
Segundo o presidente do BC, a instituição apenas "olha os dados fiscais como tomados", ou seja, não participa na definição sobre gastos públicos ou aumento de tributos — atribuição essa do Ministério da Economia e do Congresso Nacional.
"Não participamos nisso, é parte da nossa política. Precisamos olhar e ver como se desenvolve. Pelo que ouço do Executivo e Legislativo, há um consenso de que, se algo for feito, será dentro de estrutura de disciplina fiscal", acrescentou.
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