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O uso intenso de celulares, frequentemente associado a jovens, tem avançado entre pessoas mais velhas e provocado preocupações dentro das famílias. Dados indicam que a presença de usuários com 65 anos ou mais nas redes sociais cresceu de 11% em 2010 para 45% em 2021, refletindo uma mudança no comportamento digital dessa faixa etária. Alô Alô Bahia
Relatos de filhos e netos apontam para um aumento significativo do tempo de tela após a aposentadoria. É o caso de James Sullivan, de 24 anos, que percebeu uma mudança no hábito dos pais depois que eles se mudaram para uma comunidade de moradia independente na Flórida. “Eu ia lá para jantar e eles estavam no celular, rolando o Facebook, vendo memes de IA ou algo assim”, disse em entrevista ao Washington Post. “Eu pensava: ‘Por que eu vim até aqui? Poderia ter feito isso online. Quero conversar com vocês pessoalmente.’”
Situação semelhante foi observada por Brendan Moriak, de 25 anos. Enquanto tentava reduzir o próprio uso de dispositivos, ele notou que o pai passava horas interagindo com ferramentas digitais. Segundo ele, os hábitos dos pais se intensificaram após a saída dos filhos de casa. “Gen X e boomers agora estão viciados em ChatGPT e em seus celulares”, afirmou. “Definitivamente houve uma inversão: meus pais usam mais o celular do que eu.”
Discussões em fóruns online reforçam essa percepção. Em uma publicação no Reddit, um usuário escreveu: “Meu pai está grudado no Twitter. Mal consigo fazer com que ele me responda quando digo algo.” Outro relatou: “Nossos pais ficam jogando no celular ou rolando o Facebook enquanto estão com a gente.” Há ainda quem descreva encontros familiares em que o tempo juntos é substituído por uso simultâneo de diferentes telas.
Pesquisas recentes corroboram esses relatos. Um levantamento feito pela Nielsen em outubro apontou que adultos com mais de 50 anos passam, em média, 22 horas semanais em dispositivos eletrônicos. Outro estudo, de 2025, indicou que pessoas com 65 anos ou mais quase dobraram o tempo gasto no YouTube em comparação com dois anos antes. Além disso, esse grupo apresenta alta taxa de posse de dispositivos como tablets, laptops e smart TVs.
Apesar do crescimento, os efeitos do uso prolongado de telas durante a aposentadoria ainda não são totalmente compreendidos. Especialistas destacam que esse período da vida coincide com mudanças cognitivas e sociais, o que pode influenciar a forma como a tecnologia impacta o bem-estar.
Uma moradora de Washington, que preferiu não se identificar, relatou que os sogros, durante visitas esporádicas, passam mais tempo no celular do que interagindo com os netos. “Se a avó não consegue ler um livro sem atender uma ligação, o que ela está dizendo para as crianças? Que o aparelho é mais importante?”, questionou.
Tudo começou na pandemia
O avanço do uso de tecnologia entre idosos tem relação com a pandemia de Covid-19. Em 2020, atividades como consultas médicas, encontros familiares e eventos sociais migraram para o ambiente virtual, levando muitos aposentados a se adaptarem a novas ferramentas digitais. Esse processo aumentou a familiaridade com dispositivos e aplicativos.











































