Por Samuel Fernandes | Folhapress
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A gordura que fica concentrada na região da barriga, chamada popularmente de barriga de chopp, leva a mudanças mais drásticas na estrutura do coração em comparação às alterações causadas pelo Índice de Massa Corporal (IMC). A conclusão foi de uma pesquisa apresentada no congresso anual da Sociedade Radiológica da América do Norte.
A obesidade já é um fator de risco conhecido para problemas cardíacos. O peso em excesso é tão prejudicial que ele "está prestes a substituir o tabagismo em termos de custo e consequências para a saúde" do coração humano, afirmou Jennifer Erley, autora da pesquisa e residente de radiologia no Centro Médico Universitário de Hamburgo-Eppendorf, na Alemanha, durante a apresentação do trabalho no congresso científico.
Dentro desses riscos relacionados à obesidade, a gordura abdominal já é reconhecida como mais propensa a levar a alguns desfechos mais sérios e graves à saúde humana. Um exemplo é de uma pesquisa que apontou a gordura abdominal associada a perda muscular como fator para maior risco de morte após os 50 anos.
Mas o que não se sabe é o quanto a gordura concentrada na barriga promove alteração na estrutura do coração, o que consequentemente poderia afetar a função do órgão. Esse foi um dos principais objetivos da pesquisa de Erley. O estudo incluiu 2.244 adultos sem problemas cardíacos, com idade entre 46 e 78 anos e moradores da cidade de Hamburgo, na Alemanha. Os participantes foram submetidos a ressonâncias magnéticas cardíacas, posteriormente analisadas pelos cientistas, além de terem avaliações do IMC e da circunferência cintura-quadril.
A primeira conclusão do estudo foi que um IMC mais alto aparenta levar a um aumento do tamanho do coração em geral. Ou seja, tanto massa quanto volume dos ventrículos do órgão cresce.
No entanto, quando os pesquisadores levaram em conta somente o aumento na gordura abdominal, o resultado foi outro. A conclusão foi que, nesse cenário, houve um ganho na massa dos ventrículos, que são responsáveis por bombear o sangue para o pulmão, no caso do lado direito, ou para todo o corpo humano, na parte esquerda. O problema é que o volume do órgão não aumentou no mesmo ritmo. "Assim, o músculo cardíaco engrossa, mas os volumes não aumentam proporcionalmente", afirma Erley.
Essa mudança na estrutura do coração pode resultar em uma diminuição na capacidade do coração de comportar e bombear sangue. Além disso, "esse padrão prejudica a capacidade do coração de relaxar adequadamente, o que pode levar à insuficiência cardíaca", continua Erley, em um comunicado oficial do evento científico.
HOMENS SÃO MAIS SUSCETÍVEIS
Além de identificar que a gordura abdominal leva a disfunções na estrutura do coração mais graves em comparação ao IMC isolado, o estudo também buscou entender se sexo poderia ser um fator nessa complexa equação.