Elas chamam umas às outras de “guerreiras” e, às vezes, de “cunhadas”. A liberdade é conhecida como “lili”. As cidades de cada uma variam, as idades também, mas o que todas elas têm em comum é um ente querido preso.

Em tempos cada vez mais digitais, páginas no Facebook e grupos no Whatsapp viraram presença constante nas vidas de mulheres que têm as filas dos presídios em suas rotinas. Por meio das redes, no mundo online mesmo, elas encontram outras com as quais se identificam na dor, e criam meios de se ajudar coletivamente.
Fabio Gonçalves/Agência O Dia
Lohrayne criou página no Facebook há três meses depois que o marido foi preso: já são quase 2 mil curtidas
Thayane Mattos, de 24 anos, é uma dessas mulheres. Ela criou a página ‘Liberdade já pro nossoamor RJ’, assim que o marido foi preso. Pretendia conhecer outras pessoas que passavam pelo mesmo sofrimento. E não apenas ser ajudada, mas também ajudar. Thayane tem dois filhos, de 3 e 6 anos, e está grávida de outro. Todos do mesmo homem, com quem está há dez anos. Para as crianças, o pai, preso por tráfico de drogas, está no médico há um ano.
“Eles não sabem onde o pai está. E sempre perguntam: mãe, falta muito para o meu pai sair do médico?”, disse.
Com Lohrayne Scarton, 26, é diferente. Ela sempre leva o filho de 9 meses nas visitas ao pai, no Complexo Penitenciário de Gericinó. Em outro ponto, a história se repete: a página ‘Liberdade pro nosso amor RJ’ também surgiu depois que o marido dela foi preso, há três meses. “Nós somos guerreiras porque acordamos cedo, dormimos na fila, mudamos nossas vidas para cuidar deles lá dentro”, comentou. “E eles são guerreiros porque comem comida estragada, dormem em celas apertadas, convivem com um cheiro de sujeira horrível”, completou.