Com metade dos votos apurados, 95,5% defendem união da Crimeia com a Rússia
Do UOL, em São Paulo
Fogos de artifício explodem, neste domingo (16), no céu sobre a praça Lênin, em Simferopol, capital da Crimeia, após o encerramento final do referendo que decidirá sobe a anexação da península à Rússia Yuri Kochetkov/EFE
Com metade dos votos apurados, 95,5% dos eleitores que votaram no referendo foram favoráveis à união da província ucraniana da Crimeia com a Federação Russa, segundo anunciou Mikhail Malyshev, líder do comitê do referendo. As informações são da agência estatal russa Ria Novosti.
Apenas 3,5% dos eleitores defenderam a manutenção da Crimeia como território ucraniano e 1% anulou os votos.
Boca de urna divulgada neste domingo (16) pela agência de notícias russa Interfax apontou que 93% da população da Crimeia votou a favor da união com a Rússia dessa região autônoma ucraniana. Cerca de 7% preferiu manter o região com o status atual. A participação nas urnas, ainda de acordo com Interfax, foi de 75,9%.
"Hoje fizemos uma decisão muito importante, que vai entrar para a história", escreveu o primeiro-ministro da Crimeia, Sergei Aksionov, em sua conta no Twitter. "Obrigado a todos os que participaram do referendo e expressaram sua opção. Agora tomamos uma decisão muito importante que entrará para a história", escreveu o premiê.
ENTENDA A IMPORTÂNCIA DA CRIMEIA
Os Estados Unidos e a União Europeia afirmaram que não reconhecerão o referendo realizado na Crimeia sobre a separação da Ucrânia. O governo norte-americano pede uma solução política a Moscou.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu por telefone ao ministro russo de Relações Exteriores, Sergei Lavrov, que a Rússia apoie uma reforma constitucional na Ucrânia que protegesse os direitos de minorias como a população na Crimeia que fala russo.
O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, acusou a Rússia de violar as leis internacionais. "Este referendo é contrário à Constituição da Ucrânia, e a comunidade internacional não reconhecerá os resultados desta votação realizada sob ameaças de violência e intimidação por parte da intervenção militar russa que viola as leis internacionais", declarou.
"Os Estados Unidos têm apoiado firmemente a independência, a soberania e a integridade territorial da Ucrânia desde que ela declarou a sua independência, em 1991, e rejeitamos o 'referendo' realizado hoje (domingo) na região ucraniana da Crimeia. As ações da Rússia são perigosas e desestabilizadoras", disse Carney.
União Europeia
O referendo de secessão da Crimeia, na Ucrânia, é ilegal e ilegítimo e seu resultado não será reconhecido, disseram em comunicado as principais autoridades da União Europeia neste domingo.
O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, e o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, também pediram à Rússia que diminua suas tropas na Crimeia para os números pré-crise e para áreas usuais de implantação.
Os ministros do Exterior da União Europeia decidirão as medidas possíveis em uma reunião em Bruxelas nesta segunda-feira (17).