Alteração faz parte das medidas do Banco Central para reforçar o combate a golpes e facilitar a recuperação de valores.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

As novas regras de segurança do Pix entraram em vigor nesta terça-feira (1º) em todo o Brasil. A principal mudança aumenta de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução considerada fraudulenta pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED). A alteração faz parte das medidas do Banco Central para reforçar o combate a golpes e facilitar a recuperação de valores.
A mudança vale para situações em que o dinheiro foi devolvido pelo MED e, depois, aparece a suspeita de que o mecanismo tenha sido usado de maneira irregular. Com a nova regra, o recebedor original ganha mais tempo para procurar o banco e questionar a devolução. A medida, no entanto, não permite cancelar qualquer Pix nem garante que o dinheiro será recuperado.
Dois prazos de 80 dias
A nova regulamentação estabelece o mesmo período para duas situações diferentes. A contagem, porém, começa em momentos distintos:
Quem foi vítima de golpe: pode solicitar o MED em até 80 dias depois da realização do Pix que resultou na fraude.
Quem teve o dinheiro devolvido: pode contestar a devolução em até 80 dias quando houver suspeita de uso indevido do MED. Nesse caso, o prazo começa na data em que o valor foi devolvido.
Na prática, a primeira regra protege quem perdeu dinheiro em uma fraude. A segunda cria uma possibilidade de defesa para quem recebeu um valor e teve a quantia devolvida pelo mecanismo, mas considera que a contestação feita pelo pagador foi irregular.
Como funciona a análise
Depois que uma possível fraude é comunicada, a instituição financeira registra o caso no MED e inicia a apuração. Os bancos envolvidos podem ser avisados e os valores que ainda estiverem disponíveis nas contas podem ser bloqueados temporariamente.
Durante o procedimento:
As instituições têm até sete dias para analisar a denúncia;
Se a fraude for confirmada e houver dinheiro disponível, começa a devolução;
O caminho dos recursos pode ser rastreado caso o dinheiro tenha passado por outras contas;
Mais de uma instituição financeira pode participar da investigação.
Esse rastreamento pode alcançar contas usadas para receber ou transferir rapidamente valores obtidos em golpes, incluindo as chamadas contas de “laranjas”.
O Mecanismo Especial de Devolução foi criado pelo Banco Central exclusivamente para situações de fraude, golpe ou crime envolvendo o Pix. Ele permite que as instituições tentem localizar e devolver os recursos, quando ainda houver dinheiro disponível.
O sistema, porém, não funciona como um cancelamento de transferência. Por isso, o MED não se aplica a situações como:
Arrependimento de uma compra;
Pix enviado para a pessoa errada;
Desacordo comercial sem indícios de fraude.
Mesmo quando o mecanismo é acionado dentro do prazo, a recuperação do dinheiro não é garantida. O resultado depende da análise realizada pelas instituições financeiras e da existência de recursos nas contas que receberam os valores.
A ampliação do prazo para 80 dias, portanto, dá mais tempo para contestar uma devolução suspeita, mas não muda a finalidade do MED. A ferramenta continua voltada para casos em que existem indícios de fraude e não para desfazer pagamentos comuns realizados pelos usuários.
Nenhum comentário:
Postar um comentário