Maioria dos municípios brasileiros apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a eventos climáticos extremos como inundações e deslizamentos de terra

Kombi atolada da feirante Kasciany Pozzi Bispo, no alto do bairro Três Moinhos, um dos mais afetados pelas fortes chuvas em Juiz de Fora (MG) | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil - 19.03.2026
Mais de 80% dos municípios brasileiros apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres climáticos, como inundações e deslizamentos de terra, segundo um estudo do Observatório do Clima (OC), rede que reúne cerca de 130 organizações ecologistas.
A análise, divulgada nesta semana pela rede dedicada à ação climática, identificou cerca de 4.500 municípios vulneráveis entre os quase 5.500 existentes no país, o que equivale a oito em cada dez.
Quando se analisa especificamente o risco de inundações, transbordamentos e cheias, 3.769 municípios, 68% do total, encontram-se nos níveis médio, alto ou muito alto. Desses, 1.513, equivalentes a 27%, apresentam um risco alto ou muito alto.
Cerca de 2.256 municípios, aproximadamente 41% do total, situam-se no nível médio de risco de inundações, enquanto cerca de 1.800, aproximadamente 32%, apresentam um risco baixo.
A situação também é significativa em relação aos deslizamentos de terra. Um total de 2.930 municípios, 53% do país, apresentam um risco médio, alto ou muito alto. Em 1.041 cidades, 19% do total, o risco é alto ou muito alto.
O estudo foi elaborado a partir de dados dos últimos dez anos do Sistema de Informações e Análise sobre Impactos das Mudanças Climáticas (AdaptaBrasil) do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Para calcular a vulnerabilidade, a plataforma contrasta o nível de exposição de uma cidade a eventos climáticos extremos com a sua capacidade adaptativa.
A análise não considera apenas a ameaça natural. A renda da população, a infraestrutura disponível, o saneamento, a drenagem, o transporte, a habitação e o acesso aos serviços públicos influenciam a capacidade de uma cidade de prevenir, enfrentar e se recuperar de um desastre.
Para os responsáveis pelo estudo, a vulnerabilidade não se distribui de maneira uniforme e está condicionada tanto pelas características geográficas de cada localidade quanto por suas condições sociais, econômicas e de infraestrutura.
Os riscos apresentam uma marcada distribuição geográfica. As inundações são especialmente relevantes na Amazônia e em outras grandes bacias hidrográficas e nas áreas urbanas, e os deslizamentos ameaçam principalmente as regiões serranas do Sul e do Sudeste do país, além de trechos do litoral do Nordeste.
Salvador é a capital que soma mais riscos de inundações e deslizamentos, seguida por Belém, Manaus e Macapá.
O Nordeste concentra cinco das dez capitais com maior risco combinado: Salvador, Recife, Maceió, João Pessoa e Aracaju.
O diagnóstico também evidencia as desigualdades do país, visto que as populações de menor renda costumam ocupar áreas mais expostas e dispõem de menos recursos para fazer frente a fenômenos extremos e reconstruir suas vidas após um desastre.
Por isso, os especialistas citados pelo Observatório do Clima defendem que a adaptação deixe de se limitar à resposta de emergência e passe a fazer parte do planejamento urbano, das políticas de habitação, do saneamento, da infraestrutura e defesa civil.
As projeções do AdaptaBrasil apontam, igualmente, para um aumento dos riscos durante as próximas décadas, mesmo nos cenários climáticos mais favoráveis.
Os efeitos do aquecimento global são um dos temas que serão discutidos na quarta edição do Fórum Latino-Americano de Economia Verde (FLEV), organizado pela Agência EFE e que será realizado em São Paulo no dia 3 de setembro. O evento contará com a participação de autoridades, especialistas e representantes de empresas e organizações multilaterais.
O fórum conta com o patrocínio da ApexBrasil e do WWF-Brasil, e o apoio de AYA Earth Partners, Imaflora e Observatório do Clima.
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