Por Fabíola Perez | Folhapress
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Pesquisa realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e pelo Instituto Locomotiva aponta que 54% das brasileiras afirmam ter passado por alguma situação de violência cometida por parceiro ou ex-parceiro. O número equivale a 47,7 milhões de brasileiras que declaram já ter sofrido violência física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial.
Principal tipo de violência enfrentada é a psicológica, aponta o levantamento. De acordo com a pesquisa, 42% das mulheres afirmam terem enfrentado violência psicológica, 25% dizem terem sido vítimas de violência física, 19% declaram terem vivido violência moral, 10%, violência sexual e 9%, violência patrimonial. Segundo Vieira, diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão, profissionais dos sistemas de justiça e segurança pública precisam de capacitação para compreender todos os tipos de violência, mesmo aquelas que não deixam marcas aparentes.
Levantamento mostra que 7% dos homens afirmam ter praticado alguma violência com alguma parceira ou ex-parceira. Questionados se já praticaram violências específicas como física, sexual, psicológica, moral ou patrimonial, o número sobe para 11%. Segundo a pesquisa, eles não detalham as formas de violência, mas tentam justificá-las. "Isso demonstra que os homens não têm conhecimento e informação sobre quais são as violências, eles não reconhecem essas violências", diz Vera Vieira.
"Fui levado a fazer isso, era humilhado em público, dentro de casa. Por isso, eu agredia. Não gosto de violência, mas fui instigado a fazer", disse um dos entrevistados do estudo.
Estudo mostrou que para 88% das mulheres, os parceiros ou ex-parceiros são os principais autores de agressão. Pesquisa ouviu mil mulheres e 500 homens com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais. O levantamento foi realizado entre 22 e 30 de abril deste ano.
Sete em cada dez mulheres (70%) chamariam a polícia ou acionariam as autoridades ao presenciar uma mulher agredida. A pesquisa mostra ainda que 11% das mulheres procuraria ajuda de outras pessoas, 9% tentariam intervir diretamente sem o uso da força, 7% usariam a força se necessário e 1% não faria nada.
No caso dos homens, 56% afirmam que chamariam a polícia ou as autoridades, diz o estudo. A segunda principal reação é tentar intervir diretamente (19%) sem o uso da força, depois 15% dos homens interviriam usando a força se necessário, 4% procurariam ajuda de outras pessoas e 3% não fariam nada justificando que "não deveriam intervir".
Pesquisa mostrou que a delegacia da mulher é o canal de apoio mais conhecido entre as brasileiras. Os espaços são mencionados por três em cada quatro mulheres. Na sequência, os serviços de Ligue 180 - Central de Atendimento à Mulher e o Ligue 190 são conhecidos por mais da metade das brasileiras. Serviços de assistência social, juizados especializados e Casa da Mulher Brasileira são menos conhecidos.
Medo de denunciar é o principal entrave no enfrentamento à violência doméstica. Segundo a pesquisa, 68% das mulheres sentem medo de denunciar por receio de sofrer represálias, 56% temem a impunidade ou falta de punição aos agressores e 39% citam como entrave a lentidão da justiça nos processos.
Conhecimento sobre a legislação que protege as mulheres é amplo entre os brasileiros. Entre os homens, 48% afirmam que conhecem bem a Lei Maria da Penha, e entre as mulheres o índice é de 49%. Além disso, o estudo mostra que a lei é espontaneamente descrita pela maioria das brasileiras como destinada à proteção feminina.
Aplicação da lei fica aquém do esperado. O estudo mostra que 80% das mulheres acreditam que a Lei Maria da Penha não funciona como deveria, e 82% consideram-na insuficiente para enfrentar a violência contra a mulher. Além disso, só 41% das brasileiras concordam que as forças de segurança estão preparadas para atender adequadamente mulheres vítimas de qualquer tipo de violência.
A Lei Maria da Penha foi sancionada com o objetivo de coibir e prevenir a violência doméstica e familiar. Criada em 2006, a legislação homenageia a farmacêutica Maria da Penha, que sobreviveu a duas tentativas de homicídio por parte do marido. O marco jurídico completará 20 anos este ano, ela foi sancionada em 7 de agosto de 2006 e entrou em vigor no dia 22 de setembro de 2006.
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