Investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro aponta fraude com precatórios e suposto desvio de patrimônio de vítima em estágio terminal
Emanuelle Menezes, com SBT Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza, nesta segunda-feira (1º), uma operação contra um suposto esquema de fraude envolvendo precatórios milionários e o desvio de patrimônio de um empresário que enfrentava câncer em estágio terminal.
Os alvos da Operação Último Suspiro são suspeitos de estelionato, associação criminosa, apropriação indébita e falsidade ideológica. Agentes da Delegacia de Defraudações (DDEF), com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), cumprem mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Centro e nas zonas Sul, Norte e Oeste da capital fluminense.
Segundo as investigações, o grupo teria se aproveitado da condição de saúde da vítima, que já faleceu, para assumir o controle de empresas detentoras de créditos judiciais de alto valor. As alterações societárias consideradas suspeitas ocorreram cerca de três meses antes da morte do empresário.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou o número de investigados nem informou se houve prisões durante a operação.
Esquema envolvia precatórios milionários
De acordo com a Polícia Civil, as empresas que possuíam direitos sobre precatórios passaram a ser controladas por pessoas ligadas aos investigados. Paralelamente, novas pessoas jurídicas teriam sido criadas para movimentar recursos financeiros e dificultar o rastreamento do dinheiro.
As apurações apontam ainda indícios de uso de documentos com assinaturas falsificadas e da concessão de amplos poderes de representação a integrantes do grupo pouco antes da morte da vítima.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a cessão de parte de um precatório avaliado em aproximadamente R$ 38,5 milhões para escritórios de advocacia poucos dias antes do falecimento do empresário.
Testamento foi registrado horas antes da morte
Segundo a investigação, um testamento teria sido lavrado cerca de duas horas antes da morte da vítima. O documento atribuiria a uma das investigadas as funções de testamenteira, inventariante e beneficiária do patrimônio.
Os policiais também identificaram que, apenas sete dias após o falecimento, mais de R$ 1,1 milhão foram depositados na conta da suspeita. A origem dos recursos estaria ligada aos créditos decorrentes dos precatórios investigados.
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