Foto: Reprodução
Em um intervalo de dois meses, os Estados Unidos realizaram operações militares de grande impacto contra dois regimes considerados adversários históricos de Washington. Em janeiro, uma operação resultou na captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, levado aos EUA onde aguarda julgamento sob acusação de liderar um cartel de drogas. Em fevereiro, os americanos realizaram, junto com Israel, uma ampla operação contra o regime do Irã, que culminou na destruição de centros militares e de governo e na morte do líder supremo Ali Khamenei. Segundo analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, as ações reforçam a percepção de que os EUA continuam exercendo forte capacidade de projeção de poder global e passaram a usar operações militares repentinas como instrumento central de política externa. Por 180graus
As operações já produzem efeitos em outras frentes geopolíticas. Cuba está entre os países que mais sente a pressão, com o governo americano impondo novas barreiras ao regime, incluindo o bloqueio do envio de petróleo venezuelano à ilha. A Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, segue no radar de Trump, que defende o controle americano sobre a região por razões de segurança nacional. Dois dias após o ataque ao Irã, a Dinamarca anunciou adesão a um programa de dissuasão nuclear liderado pela França, movimento que analistas associam também ao crescente clima de incerteza estratégica entre países europeus em relação aos EUA. Para outros países da Otan, a situação gera preocupação sobre os limites da política externa americana.
No contexto mais amplo, analistas avaliam que as operações enviam sinais também para Brasil, México, Canadá, Colômbia e Nicarágua. Segundo a pesquisadora Aline Thomé, do Centro Universitário de Brasília, as ações mostram que, caso os EUA entendam necessário o uso da força, eles vão utilizá-la. Especialistas ponderam, no entanto, que agir contra aliados históricos como Brasil e México é uma equação mais delicada do que enfrentar regimes autoritários, e que as disputas com essas nações devem continuar sendo conduzidas principalmente no campo comercial e diplomático.
Nenhum comentário:
Postar um comentário